IR 2020: Conheça 9 investimentos isentos de Imposto de Renda

Expectativa é de que 32 milhões de declarações sejam enviadas até o dia 30 de abril. Até às 16 horas do primeiro dia do prazo, foram entregues 372.493

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A Receita Federal começou a receber nesta segunda-feira (2) a declaração do Imposto de Renda 2020. Até às 16 horas do primeiro dia de envio do documento, o Fisco recebeu 372.493 declarações. A expectativa é de que 32 milhões de contribuintes enviem seus documentos até o dia 30 de abril.

Você sabia que existem alguns investimentos isentos do IR?

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O R7 ouviu especialistas para listar quais são esses investimentos e a rentabilidade de cada um deles.

Richard Domingos, diretor executivo da Confirp – Consultoria Contábil, destacou nove investimentos que são isentos de IR. A poupança, aplicação financeira mais popular entre os brasileiros, é um deles.

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Simone Costa, professora de Finanças do Ibmec SP (Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais de São Paulo), detalhou cada um dos investimentos, fez simulações e expôs a rentabilidade de cada um.

Confira:

1) Poupança

O investimento mais popular entre os brasileiros é isento do Imposto de Renda. Apesar de ser uma aplicação segura, a poupança não vem proporcionando bons rendimentos para seus investidores.

Ela fechou o ano com 4,26%, perdendo inclusive para a inflação oficial, que fechou em 4,31%. E a tendência, segundo a professora de finanças Simone Costa, é essa diferença ficar ainda maior, em função das recentes quedas na taxa de juros (Selic).

Veja uma simulação:
Aplicação mínima: R$ 10 mil
Rendimento: mensal 0,2446% ou anual 2,975% (70% da SELIC, hoje em 4,25%)
Vencimento: mensal
Valor final bruto: 10.024,46 (mensal), 10.297,50 (anual), 11.578,68 (5 anos)
Valor final líquido (em um ano): R$ 10.297,50

2) LCI (Letra de Crédito Imobiliária)

São papeis emitidos pelos bancos para conseguir recursos do mercado para oferecer capital para empresas e pessoas lastreados em créditos do setor imobiliário. É um investimento de renda fixa.

Ao comprar a LCI, você está “emprestando” dinheiro para o banco para ele “emprestar” para outra pessoa.

Em troca, a instituição devolve o seu dinheiro corrigido por uma taxa de juros.

Veja uma simulação:
Aplicação mínima
: R$ 10 mil
Rendimento: 100% do CDI (em 27/02 o valor é 4,15%, conforme site da B3)
Vencimento: 5 anos
Valor final bruto: 12.254,52
Valor final líquido (em um ano): não se aplica, por ser um investimento de médio/longo prazo, o ideal é conserva-lo até a data de vencimento

3) LCA (Letras de Crédito Agrícola)

Esse investimento segue a linha da LCI com a diferença de que o banco utilizará o recurso captado para o agronegócio.

No caso do investidor, não há diferença entre as duas opções. Para verificar qual é a melhor para você, avalie dois aspectos: prazo de vencimento e rendimento.

Veja uma simulação:
Aplicação mínima
: R$ 10 mil (é similar ao LCI)
Rendimento: 100% do CDI (em 27/02 o valor é 4,15%, conforme site da B3)
Vencimento: 5 anos
Valor final bruto: 12.254,52
Valor final líquido (em um ano): não se aplica, por ser um investimento de médio/longo prazo, o ideal é conserva-lo até a data de vencimento

Segundo a professora de finanças Simone Costa, a vantagem da LCI/LCA está no fato de que recursos até R$ 250 mil são garantidos pelo FGC (Fundo Garantidor de Crédito).

4) Debêntures Incentivados

São títulos de dívida emitidos por empresas de capital aberto ou fechado para captar recursos para o seu caixa e financiar projetos de infraestrutura.

Esse tipo de investimento gera três formas de rendimento: pós-fixado (CDI ou IPCA), prefixado ou híbrido (misturando as duas modalidades de rendimento).

Veja uma simulação:
Aplicação mínima
: R$ 10 mil
Rendimento: 4% + IPCA (considerando 4,19% acumulado dos últimos 12 meses em janeiro/20)
Vencimento: 5 anos
Valor final bruto: 14.822,98
Valor final líquido (em um ano): não se aplica, por ser um investimento de médio/longo prazo, o ideal é conserva-lo até a data de vencimento

5) CRI (Certificados de Recebíveis Imobiliários)

São títulos de renda fixa emitidos por companhias securitizadoras.

Esses títulos exigem uma garantia de pagamento do emissor que, normalmente, dá o imóvel como garantia.

A remuneração pode ser indexada ao CDI, a índices de inflação ou ser prefixada.
É uma aplicação que muitas vezes exige um patrimônio mínimo investido.

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Segundo a professora de finanças Simone Costa, a simulação desse investimento é muito similar ao LCI/LCA, pois pode ser pré e/ou póx-fixada, sendo a rentabilidade a depender da taxa contratada.

6) CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio)

São títulos originados de negócios entre produtores rurais e cooperativas. São investimentos de risco moderado com vencimentos de médio e longo prazo, normalmente a partir de 3 anos.

Segundo a professora de finanças Simone Costa, a simulação desse investimento é muito similar ao LCI/LCA, pois pode ser pré e/ou póx-fixada, sendo a rentabilidade a depender da taxa contratada.

7) Lucro e dividendos de ações e cotas societárias

A distribuição de lucros e dividendos é um rendimento vindo da participação nos resultados de uma empresa. O investidor é isento de IR, mas a empresa paga impostos sobre os lucros obtidos, conforme o regime de tributação adotado.

Segundo Simone Costa, não se aplica simulação nesse tipo de investimento porque o rendimento dependerá do desempenho e particularidades de cada empresa.

8) Ganhos em operações com ouro, ativo financeiro nas alienações inferiores a R$ 20 mil

Rendimentos registrados com transações de ações e ouro inferiores a R$ 20 mil por mês são isentos de IR. Esse limite se refere ao valor bruto total das vendas realizadas no mês, e não ao lucro obtido com as operações.

Segundo Simone Costa, não se aplica simulação nesse tipo de investimento porque o rendimento dependerá do desempenho e particularidades de cada empresa.

9) Venda de ações no valor de até R$ 20 mil por mês

Se você tem uma carteira de ações e vendeu até R$ 20 mil em papéis por mês, em datas diferentes, estará isento de Imposto de Renda se vendeu até R$ 20 mil.

Para calcular este montante são contabilizadas todas as ordens de venda realizadas entre o primeiro e o último dia do mês.

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Mas atenção: a isenção do IR só vale para lucros de operações normais, ou seja, quando a compra e a venda do ativo ocorrem em datas diferentes, excluindo, portanto, as operações day trade (atividade de comprar e vender dentro de uma mesma sessão de negociação).

Segundo Simone Costa, não se aplica simulação nesse tipo de investimento porque o rendimento dependerá do desempenho e particularidades de cada empresa.

Investimentos são isentos, mas devem ser declarados

O fato de esses investimentos serem isentos do pagamento de Imposto de Renda, não dispensa o contribuinte de incluir a movimentação financeira de cada um deles na declaração de IR, alerta Richard Domingos, diretor executivo da Confirp – Consultoria Contábil.

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“O contribuinte que obteve rendimentos isentos, não tributáveis ou tributável exclusivamente na fonte, acima de R$ 40 mil no ano, estará obrigado a entregar a declaração”, diz Domingos.

Esses investimentos devem ser declarados na ficha de rendimentos isentos e não tributáveis:

FGTS - Código 4
Lucros e Dividendos de Ações - Código 9
Poupança, LCI, LCA, CRI, CRA - Código 12
Ganhos com venda de ouro com alienações até R$ 20 mil mês - Código 21
Ganhos em renda variável até R$ 20 mil de alienações no mês - Código 20
Dividendos de Fundo de Investimento Imobiliário - Código 26

Quem é obrigado a declarar?

• Contribuinte que recebeu mais de R$ 28.559,70 de renda tributável em 2019 (salário, aposentadoria, aluguel, entre outros);
• Ganhou mais de R$ 40 mil isentos, não tributáveis ou tributados na fonte no ano (rendimento da poupança ou indenização trabalhista, por exemplo);
• Teve algum rendimento com a venda de bens (imóvel, por exemplo);
• Comprou ou vendeu ações na Bolsa;
• Recebeu mais de R$ 142.798,50 em atividade rural ou tem prejuízo rural a ser compensado no ano-calendário de 2019 ou nos próximos anos;
• Era dono de bens com valor superior a R$ 300 mil;
• Morou no Brasil durante qualquer período de 2019 e permaneceu no país até 31 de dezembro;
• Usou a isenção de IR no momento da venda de um imóvel residencial e comprou outro num prazo de 180 dias.

Quais deduções são permitida

• R$ 2.275,08 por dependente, desde que atendidas as regras da Receita;
• R$ 3.561,50 por ano como limite de despesas com educação do contribuinte, dependentes ou alimentandos
• Até 6% do imposto devido para doação para criança e adolescente e para idoso;
• Até 12% de rendimentos tributáveis por previdência complementar; e
• Gastos com saúde (não há limite, desde que siga as regras da Receita.

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