Economize Juros altos atraem investidores e deixam dólar mais barato no Brasil

Juros altos atraem investidores e deixam dólar mais barato no Brasil

Depreciação da moeda norte-americana em relação ao real é guiada por estrangeiros na busca por retornos mais altos

Dólar caiu quase 10% desde a 1ª alta da Selic

Dólar caiu quase 10% desde a 1ª alta da Selic

Marcelo Del Pozo/Reuters - 16.11.2014

A recente trajetória de queda que levou o dólar abaixo dos R$ 5 tem relação direta com a sequência de alta da taxa básica de juros da economia, a Selic, que passou de 2% para 4,25% ao ano no período de três meses.

Segundo especialistas, a variação de 2,25 pontos percentuais dos juros foi suficiente para atrair investidores estrangeiros ao Brasil, o que puxa a cotação da moeda norte-americana para baixo, já que com mais dólares disponíveis no mercado o valor da moeda ante o real tende a cair.

"É uma questão de oferta e demanda. Quando a Selic cai muito, as pessoas não ficam interessadas em manter o dinheiro aqui e levam para o exterior, o que faz o valor do dólar aumentar", explica Gabriela Mosmann, analista de investimentos da Suno Research.

Roberto Dumas, economista e professor do Insper, destaca que as recentes movimentações do mercado fizeram com que o diferencial entre os juros praticados no Brasil e no exterior aumentasse. "Os investidores trazem dinheiro deles para cá, como forma de aproveitar esse diferencial, e acabam ganhando, em dólar, mais do que ganhariam nos Estados Unidos", aponta ele.

Gabriela completa dizendo que os juros básicos no menor patamar da história afastavam os investidores do Brasil, já que a taxa Selic é responsável pela sinalização de retorno de todos os outros ativos disponíveis no mercado nacional. "A pessoa não vê o risco-Brasil sendo pago. Mas, quando a Selic aumenta um pouco, o investidor internacional vai se sentir mais atraído, porque o retorno paga o risco, já que o retorno nos Estados Unidos é praticamente zero", afirma Gabriela.

Desde quando superou os R$ 5, em março do ano passado, a cotação da moeda norte-americana engatou uma sequência de ganhos até ficar a apenas 1,67% de bater a marca de R$ 6 em maio de 2020. Desde então, os juros no menor patamar da história para tentar frear o impacto do novo coronavírus na economia mantiveram o dólar "estacionado" até o início das altas da Selic.

Desde então, o dólar acumula queda de 9,2% ante o real até o fechamento da última quinta-feira (1º), quando a moeda norte-americana registrou a maior valorização em mais de um mês, voltou a superar a barreira dos R$ 5 e fechou o dia negociada a R$ 5,04.

Dumas cita que existe ainda uma razão "não muito nobre" guiando a depreciação do dólar ante o real nos últimos meses: a relação entre a dívida e a produção de bens e serviços da economia. "Você mostra que está bem na fotografia, mas porque a maré subiu. Se a inflação cair, a maré vai baixar e mostrar, de novo, o quão frágil estaremos em relação ao valor da dívida pública como percentual do PIB", lamenta o economista.  

Na avaliação de Dunas, o dólar não terá um recuo expressivo nos próximos meses e deve voltar a subir no próximo ano com a chegada do período eleitoral e a "intensificação do populismo fiscal" sinalizada pela reforma tributária. "Neste ano vivemos uma lua de mel com o câmbio e os indicadores, o que deve ser revertido", indica ele ao apostar no dólar em R$ 5,30 em 2022.

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