Os investimentos preferidos dos brasileiros na crise do coronavírus

Levantamento do Fliper reuniu as principais aplicações do país; apesar da volatilidade, a renda variável continua atrativa ao investidor

Dólar também virou destaque entre as aplicações

Dólar também virou destaque entre as aplicações

Adriana Toffetti/ A7 Press/ Estadão Conteúdo - 24.04.2020


O ano de 2020 está sendo turbulento para o mercado financeiro. Após a bolsa de valores bater recordes em janeiro, a crise do coronavírus derrubou qualquer otimismo com as perspectivas econômicas e o índice Ibovespa chegou a cair 30% apenas no mês de março.

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Entretanto, se engana quem pensa que a volatilidade espantou os investidores. O número de investidores pessoas físicas na B3 subiu 41,8% em abril, em comparação ao mesmo período do ano passado, chegando a 2,3 milhões.

“As pessoas aproveitaram a baixa generalizada nos preços dos ativos para entrar na bolsa”, explicou Walter Poladian, sócio do Fliper, aplicativo gratuito que agrega os investimentos dos usuários.

O que Poladian diz tem fundamento. De acordo com o levantamento feito pelo Fliper com 70 mil carteiras de investimentos, os ativos preferidos dos brasileiros durante a crise (entre 1º de março e 6 de maio) são de renda variável, com destaque para aqueles cujos preços estão em queda livre.

Em primeiro lugar entre os ativos mais procurados no ranking do Fliper está o fundo de ações Bogari Value FIA, da gestora Bogari Capital. O objetivo da aplicação é justamente aproveitar a baixa de ativos para lucrar com as valorizações. “A performance do fundo seguiu a do Ibovespa”, explicou Poladian. “Entretanto, o investidor que quer lucrar com a baixa ainda vê uma oportunidade.”

O segundo ativo com maior demanda foi o Tesouro Selic, muito usado para fazer reservas de emergência. De acordo com Poladian, a saída de investidores dos fundos de crédito privado, que sofreram por conta da crise, também pode ser um dos fatores que elevaram a busca.

“O risco das empresas darem calote se elevou muito durante a crise, fazendo com que as pessoas que tinham reserva de emergência nesses fundos migrassem para o Tesouro”, disse o sócio do Fliper.

Em terceiro e quinto lugar, respectivamente, estão os papéis da Itausa – holding brasileira que controla o Itaú Unibanco – e da Petrobras. “São empresas fortes, muito conhecidas e que são muito recomendadas pelas corretoras”, disse o especialista.

O Tesouro IPCA+ 2035 aparece em quarto lugar. A rentabilidade desse tipo de título público é valorizada pelas perspectivas de queda nas taxas de juros, o que pode explicar a alta na procura frente aos cortes na Selic, e ainda protege o investidor contra riscos de inflação.

Reprodução/Fliper

Dólar e ouro também são destaque

Apesar de não aparecerem entre os cinco investimentos preferidos pelos brasileiros durante a crise, os ativos atrelados ao dólar e ao ouro também enfrentaram altas na procura. “Com a turbulência do coronavírus, muitos investidores buscam segurança, e esses ativos são considerados de proteção”. De fato, a moeda americana se valorizou 31% até o dia 1º de maio. Já o metal acumulou alta de 45,8% até o dia 6 do mesmo mês.

Em relação à evolução da busca por investimentos nesses ativos, enquanto no dia 1º de março a procura média por papéis atrelados ao dólar representava 1,41% em relação a outras aplicações, no dia 6 de maio esse percentual saltou para 1,75%. O ouro subiu de 0,39% para 0,51%.

Fundos imobiliários enfrentam queda

Por outro lado, as aplicações que enfrentaram a maior baixa na procura durante a crise foram os fundos imobiliários, que recuaram de 10% para 8,86%.

“Alguns investidores achavam que esses fundos eram mais parecidos com a renda fixa, com baixa volatilidade, mas não é assim”, disse Poladian. “Quando viram as quedas, ficaram decepcionados e saíram da aplicação”, concluiu. Até abril, o IFIX, índice dos fundos imobiliários, acumulou baixa de 15,27%.

Reprodução/Fliper

Ranking dos ativos mais procurados, por categoria

Reprodução/Fliper