Queda da Selic motiva entrada de novos investidores na Bolsa

Número de pessoas que apostam em renda variável vem crescendo ano a ano e, atualmente, B3 tem 2,8 milhões de contas ativas

De 2019 para 2020, número de investidores cresceu 68%

De 2019 para 2020, número de investidores cresceu 68%

Pixabay

O número de investidores na Bolsa de Valores brasileira cresce a cada ano, influenciado principalmente pela queda da taxa básica de juros (Selic).

Até 31 de julho de 2020, a B3 já tinha 2.824.239 pessoas físicas investindo, frente a 1.681.033 no ano anterior — aumento de 68%.

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Segundo especialistas ouvidos pelo R7, a Bolsa começou a atrair investidores de maneira mais forte a partir de 2016 — em novembro deste ano, a taxa básica de juros passou de 14,25% ao ano para 14%, começando uma série de cortes.

O ano de 2016 terminou com 564.024 investidores na Bolsa e Selic a 13,75% ao ano. 

A Selic se manteve estável em 6,5% ao ano de maio de 2018 até julho de 2019.

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A partir de então, a taxa foi cortada em todas as reuniões seguintes do Copom (Comitê de Política Monetária), do BC (Banco Central), até chegar a 2% ao ano, valor atual definido no encontro de agosto deste ano.

Arte/ R7

O CEO da Kinvo, plataforma de gestão de investimentos, Moacy Veiga, diz que a Bolsa vem em um ciclo de alta desde 2016.

Em 2020, a queda da Selic ao menor nível histórico e a busca por novos investimentos mais rentáveis fizeram com que muitos entrassem no mercado de renda variável.

O head de renda variável da Messem Investimentos, William Teixeira, afirma que outro aspecto que aumentou o número de investidores na Bolsa, além da queda da Selic, foi o fato da renda variável estar se tornando mais popular.

“A Bolsa veio em uma performance positiva, e isso obviamente atrai. As pessoas gostam de estar em um produto que está dando certo.”
William Teixeira

Para Teixeira, os investidores que querem ter uma rentabilidade melhor vão acabar partindo para a renda variável, já que a renda fixa passou a dar resultados muito baixos devido à queda da Selic.

Como começar a investir na Bolsa

Para ser um bom investidor na Bolsa, Veiga diz que é preciso criar estratégias, entender que este tipo de investimento não é aconselhável para curtíssimo prazo e montar uma carteira diversificada.

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Além disso, o controle emocional é fundamental.

“A Bolsa tem um fator importante, que é o emocional. As pessoas vendem no momento de comprar e compram no momento de vender.”
Moacy Veiga

O especialista diz que é preciso avaliar as variações como oportunidades e não com desespero.

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Teixeira reforça que não existe dinheiro fácil na Bolsa e que, por isso, é importante estudar sobre as ações e o mercado para criar uma boa carteira.

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"Fuja das ofertas muito boas. Geralmente quando elas aparecem, algo está errado. Não existe dinheiro fácil na bolsa”, afirma.

Investir durante a pandemia

Veiga diz que é um momento de cautela para quem quer começar a realizar aportes em renda variável.

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A dica é apostar sempre em carteiras diversificadas para evitar perdas.

Já Teixeira afirma que a pandemia é um bom momento para começar a investir. 

"O mercado é muito promissor a longo prazo, desde que as pessoas entendam que não vão ganhar dinheiro fácil."
William Teixeira

Apesar das oscilações da Bolsa, principalmente nos primeiros meses de pandemia, cerca de 900 mil investidores entraram na Bolsa de março a julho deste ano. 

Arte/ R7