Economize Renda do trabalhador autônomo sobe 19% no segundo trimestre

Renda do trabalhador autônomo sobe 19% no segundo trimestre

Ipea mostra que caíram em 6,6% ganhos extras dos profissionais, mas aumentaram as verbas fixas no período

  • Economize | Do R7

Jovens adultos, entre 25 e 39 anos, tiveram queda de 3,2% nos rendimentos efetivos reais

Jovens adultos, entre 25 e 39 anos, tiveram queda de 3,2% nos rendimentos efetivos reais

Marcelo Camargo/Agência Brasil

Os trabalhadores que atuam por conta própria registraram um crescimento de 19,5% na sua renda efetiva no segundo trimestre de 2021, na comparação com o mesmo trimestre de 2020.

Isso significa que a categoria vem recebendo mais renda fixa, um salário, por exemplo, e menos rendas habituais, valores adquiridos por fontes extras.

Os dados são de um estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), divulgado nesta sexta-feira (17). 

O levantamento mostra que houve queda de 6,6% na renda habitual e um aumento de 0,9% na renda efetiva do trabalhador brasileiro no segundo trimestre de 2021, na comparação com o mesmo trimestre do ano passado, considerado o pior momento do mercado de trabalho durante a pandemia.

A parcial recuperação da população ocupada reduziu o impacto negativo na massa salarial real habitual no segundo trimestre.

Isso por que a queda da massa de rendimentos habituais foi de 1,7% (somando R$ 215,5 bilhões) e o aumento da massa efetiva foi de 6,1% na comparação com o ano anterior, totalizando R$ 215,1 bilhões.

Ainda no segundo trimestre, os trabalhadores autônomos receberam 76% do habitual, enquanto que os com carteira do setor privado tiveram aumento de 2% na renda efetiva e os sem carteira, de 6,9%.

Nordeste foi a região com renda mais afetada pela segunda onda da pandemia, com queda de 2,6% na renda efetiva no segundo trimestre de 2021.

No corte por gênero, o crescimento da renda efetiva das mulheres (+1,40%) foi superior ao dos homens (+0,48%), no mesmo período.

Parte do comportamento da renda do trabalho em 2020 e 2021 foi gerada por um efeito composição.

A elevação da renda habitual média se deve aos seguintes fatores:

• A perda de ocupações se concentrou naquelas com menor remuneração (nos setores de construção, comércio, alojamento e alimentação); e
• Empregados sem carteira assinada e, principalmente, trabalhadores por conta própria, permaneceram ocupados com renda relativamente mais alta.

Com o retorno dos trabalhadores informais e por conta própria ao trabalho, o rendimento habitual médio foi se reduzindo. O arrefecimento do aumento da renda habitual e da renda efetiva indica o início de retorno à normalidade no mercado de trabalho.

Apesar de o grande número de domicílios sem renda do trabalho, no segundo trimestre de 2021, houve pequena redução neste percentual, em relação ao primeiro trimestre deste ano: de 29,3% para 28,5%.

O movimento demonstra uma lenta recuperação no nível de ocupação aos patamares anteriores à pandemia para as famílias de renda mais baixa.

Neste trimestre, houve também um aumento na proporção de domicílios na faixa de renda mais baixa e uma diminuição da proporção nas demais faixas.
 

Pandemia afetou mais jovens

A renda dos jovens adultos (de 25 a 39 anos) foi a mais afetada pela pandemia, com queda de 3,2% nos rendimentos efetivos reais médios, no segundo trimestre deste ano.

Em contrapartida, os rendimentos dos ocupados com mais de 60 anos cresceram 1,3% no período, influenciados pela alta proporção de trabalhadores por conta própria nessa faixa etária.

Quanto ao grau de escolaridade, as recuperações da renda efetiva foram generalizadas, sendo mais intensa para os trabalhadores com menor escolaridade.
 

As horas efetivamente trabalhadas e a proporção de afastados do trabalho não foram afetados pela segunda onda da pandemia de covid-19. A análise mostra que, apesar da melhora nos rendimentos no segundo trimestre deste ano, a recuperação ainda é lenta. O afastamento da ocupação atinge 16,26% dos trabalhadores, afetando mais de 13,5 milhões.

Sandro Sacchet, pesquisador do Ipea e autor do estudo

A análise apontou forte queda nas horas efetivamente trabalhadas que alcançaram apenas 78% das horas habituais, o que representa uma jornada semanal média efetiva de 30,7 horas.

O impacto foi maior entre os trabalhadores por conta própria (73%) e entre trabalhadores do setor público informais (72%).

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