Inflação

Economize Troca de marca pode cortar pela metade gasto com supermercado

Troca de marca pode cortar pela metade gasto com supermercado

Alta no preço dos alimentos fez redes ampliarem opções de produtos nas gôndolas para ajudar consumidor a economizar

  • Economize | Márcia Rodrigues, do R7

Resumindo a Notícia

  • Supermercados estão oferecendo mais marcas para consumidor escolher melhor preço
  • Arroz e feijão, por exemplo, tem até sete opções de produtos da mesma qualidade disponível
  • Com a alta no preço dos alimentos, consumidor passou a ir mais atrás de promoções
  • Ofertas em aplicativos das redes são parâmetro de pesquisa para a busca de menor custo
Supermercados oferecem de seis a sete marcas de arroz e feijão diferentes

Supermercados oferecem de seis a sete marcas de arroz e feijão diferentes

Pixabay

A alta nos preços dos alimentos está longe de dar um alívio no orçamento das famílias brasileiras e vem fazendo as redes de supermercados se desdobrarem para manter a fidelidade dos clientes.

Uma das estratégias identificadas pela Abras (Associação Brasileira de Supermercados) é o aumento do leque de marcas nas gôndolas para ofertar variações do mesmo produto mais em conta para o consumidor.

O levantamento, feito com exclusividade para o R7 Economize, aponta uma diversificação de marcas principalmente no tradicional prato do brasileiro: arroz com feijão.

 Até pouco tempo atrás, algumas redes trabalhavam com apenas três marcas, no máximo. Agora é possível encontrar de seis a sete marcas do mesmo produto.

Alguns exemplos:

• O pacote 5 kg do arroz tipo 1 pode ser encontrado com preços que variam R$ 16 a R$ 30, dependendo da marca;
• O pacote de 1 kg de feijão (da mesma qualidade) custa entre R$ 5,99 e R$ 8,99, dependendo da marca;
• O preço da dúzia de ovos vai de R$ 7,99 a R$ 12, dependendo da granja;
• O quilo da bisteca suína sai entre R$ 15,90 e R$ 19,99, dependendo do frigorífico; e
• O frango congelado sai de R$ 14,99 a R$ 16,99 o quilo, dependendo da granja.

"Quando é dia de oferta, muito comum nas redes supermercadistas, o quilo do frango congelado pode chegar até R$ 10,99", afirma Marcio Milan, vice-presidente da Abras.

Milan também conta que em algumas redes é possível encontrar feijão de qualidade inferior por apenas R$ 3 o quilo, mas são exceção. 

Momento exige pesquisa, troca de marca e de produtos

Para o vice-presidente da Abras, o consumidor já vem buscando soluções positivas para driblar a alta dos preços dos alimentos.

O consumidor está substituindo a carne bovina, que registra uma série de alta nos preços, por alternativas como carne suína e ovos. Também está buscando promoções e outras marcas. É comum ver o consumidor baixar o aplicativo das redes e ir atrás dos melhores preços.

Marcio Milan

Milan afirma que os supermercados estão de olho neste movimento e vêm negociando com fornecedores e produtores para oferecerem preços competitivos e manter a fidelidade dos clientes. "Senão os preços seriam ainda mais elevados."

Aumentar opções pode confundir consumidor, diz especialista

O professor Claudio Felisoni de Angelo, presidente do Ibevar (Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo), acredita que a troca de marcas pode propiciar uma redução nos custos ainda maior, dependendo dos produtos procurados, como laticínios e embutidos, por exemplo.

Ele alerta, porém, que apesar de positivo, o aumento de opções de um mesmo produto pode gerar insegurança no consumidor na hora de escolher.

O professor cita um experimento, segundo ele devidamente registrado, feito num supermercado sobre o assunto. O produto escolhido para a ação foi a geleia.

Um demonstrador ficava no corredor onde o produto era localizado e oferecia três geleias de três sabores diferentes para os consumidores provarem, depois registrava quantos compravam o produto após consumi-lo.

Em outra ocasião, o mesmo demonstrador aumentou para 10 opções de geleia para o cliente provar e registrava quanto gerou de compras.

Resultado: o experimento com três geleias gerou mais vendas do que o com 10.

Oferecer mais opções pode aumentar a insegurança do consumidor na hora da compra. É o chamado paradoxo da escolha. Quando dou três opções de produtos para ele, ao escolher um, estará deixando de levar dois. Ao oferecer 10, ele precisará deixar nove alternativas para traz e a indecisão acaba impedindo o consumidor de comprar.

Claudio Felisoni de Angelo

Para o professor, mesmo com este risco, a diversificação das marcas amplia as possibilidades do consumidor que está com o orçamento reduzido

Leite longa vida e frango puxam alta da inflação

Dados do IPCA-15 de agosto, considerado uma prévia da inflação oficial do mês, divulgado na quarta-feira (25), mostram que a alta acumulada em 12 meses já chega a 9,30%. No mês, o índice avançou 0,89%, a maior alta para o mês desde 2002, quando subiu 1%.

Contribuíram para essa aceleração as altas do leite longa vida (+4,09%), do frango em pedaços (+3,09%), das carnes (1,74%) e do pão francês (+1,81%).

Por outro lado, permanecem em queda os preços da cebola (-15,94%), da batata-inglesa (-14,77%), das frutas (-1,33%) e do arroz (-1,14%).

Já na alimentação fora do domicílio, que subiu 0,52%, o movimento foi inverso. Tanto os preços do lanche (+0,55%) quanto a refeição (+0,53%) desaceleraram em relação a junho, quando registraram altas de 1,67% e 0,86%, respectivamente.

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