Vale a pena investir em empresas que vão estrear na Bolsa?

Especialistas recomendam cautela e sugerem um amplo estudo a respeito das companhias antes de apostar as fichas em uma delas

Investimento nas "novatas" exige estudo e cautela

Investimento nas "novatas" exige estudo e cautela

Cris Faga/Estadão Conteúdo - 8.10.2019

O atual cenário econômico do Brasil motivou diversas empresas a abrirem o capital. A decisão visa ofertar ações na Bolsa de Valores em busca de novos recursos financeiros. Mas será que apostar as fichas nessas novatas é um bom negócio para os investidores?

Somente nas últimas semanas, os chamados IPO, sigla em inglês para oferta pública inicial, foram efetivados pela mineradora Aura Minerals, pela empresa de gestão ambiental Ambipar e pelo grupo de moda Soma.

José Falcão, especialista em renda variável da Easynvest, lembra que existia uma demanda reprimida de IPOs nos últimos anos e classifica a queda da taxa de juros ao menor patamar da história como o "principal catalizador" para a abertura de capital das empresas no momento atual.

"Em 2019 foram retomados os IPOs e neste ano, apesar da crise, os investidores estão com um apetite maior aos ativos de risco e enxergam nas aberturas de capital uma boa oportunidade"
José Falcão, especialista em renda variável da Easynvest

Paloma Brum, economista da Toro Investimentos, explica que o planejamento de muitas empresas que pretendiam fazer o IPO neste ano foi interrompido pela pandemia do novo coronavírus e retomado neste momento de retomada.

“Várias empresas que já tinham até solicitado o pedido de abertura de capital para a CVM acabaram recuando porque o mercado de capitais se tornou menos favorável a investimentos de risco"
Paloma Brum, economista da Toro

Ela cita a injeção de recursos para estimular as economias globais como essencial para o reestabelecimento dos projetos nos últimos dois meses.

Vale a pena?

Os especialistas ouvidos pelo Economize apontam que a decisão de investir ou não nas empresas estreantes na Bolsa depende do perfil do investidor e do apetite ao risco de cada um.

Falcão alerta para o histórico de intensas oscilações na primeira semana de negociações das empresas que abrem o capital na Bolsa de Valores. “Se o investidor busca ganhos no curto prazo, eu acho que não é o melhor caminho”, orienta ele.

“O investidor que vai entrar em um IPO precisa ter uma cabeça de empresário e entender que ele está entrando como sócio em uma empresa que está captando recursos no mercado para investir nas suas atividades, crescer suas operações e gerar mais resultado ao acionista”, completa o especialista em renda variável da Easynvest.

Os alertas também são direcionados ao fato de que o preço inicial a ser praticado no momento da abertura de capital podem não ser condizentes com o valor real de cada ação da empresa. 

“A empresa dá uma faixa indicativa de preço e é o mercado quem vai estabelecer o quanto ele quer pagar”
José Falcão, especialista em renda variável da Easynvest

O estudo do prospecto divulgado pela empresa antes da abertura de capital e a avaliação dos fatores de risco também é citado como determinante para a tomada de decisão, de acordo com Paloma, da Toro.

Ela ainda sugere que os investidores apostem em ofertas primárias, nas quais os recursos captados são destinados exclusivamente para o caixa da empresa.

"É interessante dar preferência para aquelas companhias que têm um bom histórico, estão alocadas em setores com as atividades favoráveis no momento e vão utilizar parte dos investimentos para a expansão"
Paloma Brum, economista da Toro