Veja como fazer uma reserva de segurança e aplicá-la corretamente

Dinheiro guardado pode ser usado não só para momentos difíceis, mas também em boas oportunidades de compra e economia

Parte da reserva de segurança pode ser aplicada em fundos de baixo risco

Parte da reserva de segurança pode ser aplicada em fundos de baixo risco

Pixabay

Ter algum dinheiro guardado para momentos difíceis pode te salvar dos juros do cartão de crédito, cheque especial ou empréstimos. Além disso, ele também pode ser utilizado para boas oportunidades de negócios. A economista e especialista em investimentos da Magnetis, Andressa Siqueira ensina a aproveitar ainda melhor esta reserva de segurança. 

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Andressa explica que o primeiro passo é deixar para trás a ideia de que a reserva de segurança será utilizada apenas em momentos ruins ou de crise. "Ela tem uma característica de poder ser usada tanto em cenários positivos como negativos. Pode surgir a oportunidade de comprar um automóvel mais barato", destaca.

Andressa: poupar deve ser prioridade

Andressa: poupar deve ser prioridade

Divulgação

A especialista alerta que é comum as pessoas confudirem a reserva de segurança com o fluxo de caixa. O segundo é para ser usado imediatamente, para manter as contas em dia e precisa estar disponível imediatamente. Já o segundo deve ser guardado separadamente, se possível, investido para render mais com o tempo. 

Para começar a guardar dinheiro é necessário mudar a forma de organizar as finanças. A princípio, muita gente acredita que aquele dinheiro que "sobrou" deve ser poupado, mas a especialista afirma que a construção da reserva deve ser tratada como prioridade.

"Quando a pessoa recebe o salário, ela paga todas as contas e o que sobrou ela vai cogitar investir ou gastar. Mas o pensamento correto é ela pagar todas as contas e já separar uma parte como uma conta fixa para investimento. E só então encarar o que restou como 'sobra' para gastos", reforça.

Andressa afirma que nem sempre as pessoas conseguem mudar o comportamento rapidamente. Por isso, é necessário definir como prioridade a reserva de segurança. Segundo a economista, para a contar fechar bem, as despejas fixas não devem ultrapassar 70% do salário. 

"Se as contas passam este teto de 70%, é necessário diminuir os gastos", destaca. O cartão de crédito, por exemplo, não pode ser utilizado acima do que a pessoa recebe e ele entra em como gastos variáveis, e não fixo.

Quanto e como poupar

É difícil saber quanto guardar, mas a economista dá alguns parâmetros para o dinheiro que deve ser reservado e investido. "Normalmente, recomendamos que ela tenha no mínimo 3 meses de reserva, que pode estender até 6 ou 12 meses dependendo da estabilidade, se CLT ou PJ", pondera.

O cálculo deve ser feito com base na média do custo de vida mensal, ou seja, não adianta calcular apenas os gatos fixos, sem levar em conta aquela ida ao restaurante ou a pizza do fim de semana. "As pessoas tem um consumo padrão que deve entrar na conta. Não é apenas o custo fixo, mas também os gastos não essenciais", recomenda. 

E esta reserva pode ser investida enquanto não é utilizada para proporcionar um retorno maior. Mas é recomendável consultar um especialista na hora de investir já que alguns fundos oferecem risco alto, ou possuem taxas caras. 

"Um erro simples é deixar os ativos em aplicações que oferecem risco, ou que não possuem liquidez (prazo para poder usar) ou que a pessoa tenha um custo alto para deixar ou ainda que remure muito pouco", alerta.

A especialista recomenda separar o que é a reserva de segurança e colocar um fundo de renda fixa com bastante diversificação, que não cobre uma taxa muito alta e proporcione bastante liquidez.

Nada de arriscar

Com o cenário atual da pandemia do novo coronavírus, Andressa não recomenda investir em fundos que ofereçam risco. "Investimentos sofisticados são mais arriscados, e a reserva não pode ter alta volatidade porque a característica dela é segurança. Os fundos imobiliários não são boa opção para o momento porque oferecem inúmeros riscos", pondera.

"Os shoppings em um cenário como esse, por exemplo, não têm recursos e as pessoas podem ter prejuízos, ao invés de do fundo pagar, ele pode ter uma queda maior de algumas ações. E não é o que estamos buscando com este tipo de investimento, mas sim, o mínimo de risco possível", complementa.

A economista conta que é comum as pessoas começarem a investir pelo Tesouro Selic porque é o mais básico. "Mas se a pessoa encontrar um fundo de renda fixa com liquidez de 2 dias, que não tenha um custo muito alto, ele pode compensar mais do que o Selic", destaca.

Já o fluxo de caixa ou o dinheiro que pode ser usado imediatamente pode ser deixado na poupança, já que com uma taxa de juros mais baixa, como a que está neste momento, o rendimento é baixo. 

Poupança antiga

A remuneração da poupança antiga, com as regras de maior de 2012, está rendendo melhor do que a Selic, explica a economista. "Mas não é bom deixar todo patrimônio, porque acaba sendo meio ilusória, em muitos outros momentos ela perdeu bastante dinheiro", comenta. 

Segundo a especialista, a poupança antiga paga mais do que o CDI, mas apenas porque o cenário atual é específico. Assim, quando a taxa de juros voltar a subir, é melhor apostar na diversificação dos ativos.