Economia Em ação com BC, Tesouro cancela leilões de prefixados por "condições mais restritivas" do mercado

Em ação com BC, Tesouro cancela leilões de prefixados por "condições mais restritivas" do mercado

Reuters

Por José de Castro

SÃO PAULO (Reuters) - O Tesouro Nacional informou nesta segunda-feira o cancelamento do leilão primário de títulos prefixados (LTN e NTN-F) previsto para 12 de março (quinta-feira), "em virtude das condições mais restritivas do mercado financeiro", conforme comunicado publicado no site do Tesouro.

O cancelamento é parte de "atuação coordenada com o Banco Central do Brasil", disse o Tesouro no texto.

Está mantido, contudo, a oferta de LFT (títulos atrelados à Selic) programada para a mesma data.

"O Tesouro Nacional seguirá acompanhando a evolução das condições de mercado, para garantir o bom funcionamento do mercado de títulos públicos e de outros mercados correlatos", disse a nota.

As taxas de juros dos contratos futuros de DI negociados na B3 --que servem de parâmetro para os juros pagos nos leilões do Tesouro-- dispararam nesta segunda-feira, reflexo da onda de aversão a risco que tomou conta dos mercados globais diante da derrocada dos preços do petróleo e dos temores em relação aos efeitos econômicos do coronavírus.

O DI janeiro 2027 --cujo vencimento é um dos contemplados na oferta de NTN-F pelo Tesouro-- saltou 45 pontos-base apenas nesta sessão, para 7,02% ao ano, maior alta diária em pontos desde junho de 2018.

Enquanto o Tesouro anunciou o cancelamento da oferta de prefixados, o Banco Central voltou a comunicar leilão, para terça-feira, de até 2 bilhões de dólares em moeda à vista, depois de nesta segunda ter colocado 3,465 bilhões de dólares nessa modalidade. O volume desta segunda é o maior a ser liquidado em um mesmo dia desde pelo menos 11 de maio de 2009.

Na última quinta-feira, o secretário do Tesouro, Mansueto Almeida, disse que não via disfuncionalidade no mercado de títulos, razão pela qual, segundo ele, o Tesouro não estava conversando com o Banco Central sobre eventual ação conjunta.

A última vez que o Tesouro havia cancelado leilões programados por aumento de volatilidade no mercado fora entre maio e julho de 2018, na esteira de uma forte turbulência nos ativos financeiros em meio aos efeitos da greve dos caminhoneiros e preocupações no exterior sobre a guerra comercial.

Entre cancelamento e realização de operações extraordinárias, o Tesouro fez à época recompra líquida de um total de 22,04 bilhões de reais em títulos, dando saída a investidores que desejavam se desfazer dos papéis em forte desvalorização.

Na ocasião, o Tesouro também atuou em coordenação com o Banco Central. Ao longo de maio, junho e julho de 2018, o BC liquidou a venda líquida de 43,616 bilhões de dólares em contratos de swap cambial tradicional --que funcionam como injeção de liquidez no mercado futuro de câmbio.

Nesta segunda-feira, o dólar se aproximou de 4,80 reais, renovando máximas históricas. No ano, a moeda salta 17,76%, o que mantém a divisa brasileira na lanterna entre seus principais rivais no período.

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