Economia Empresas de alimentos exigem que Reino Unido adote postura dura para proteção de florestas tropicais

Empresas de alimentos exigem que Reino Unido adote postura dura para proteção de florestas tropicais

BRITAIN-COMPANIES-DEFORESTATION:Empresas de alimentos exigem que Reino Unido adote postura dura para proteção de florestas tropicais

Reuters - Economia

Por Matthew Green

LONDRES (Reuters) - Redes de supermercados, fabricantes de alimentos e cadeias de restaurantes defenderam nesta segunda-feira que o Reino Unido endureça um plano para impedir a devastação de florestas tropicais para a plantação de commodities como soja e cacau.

A indústria de alimentos está sendo alvo de críticas por seu papel na destruição de florestas tropicais em países como Brasil e Indonésia, e o Reino Unido está criando uma legislação para forçar o setor a ampliar a supervisão sobre suas redes de suprimentos.

Em uma carta aberta, cerca de 20 grandes companhias apoiaram os planos como um "passo adiante", mas disseram que ele "não é suficiente para interromper o desmatamento e defendemos que o governo avance para resolver esta questão".

A carta é assinada por grandes redes supermercadistas como Tesco e Marks & Spencer, fabricantes de alimentos como Unilever e Nestlé, redes de fast food como McDonald's e por vários pecuaristas do país.

A legislação do Reino Unido tem como objetivo aplicar penalidades legais contra empresas que forem cúmplices de práticas de desmatamento, ampliando uma série de ações voluntárias e guiadas pela própria indústria e que têm enfrentando amplas críticas de grupos ambientais.

As empresas afirmam que preferem uma direção clara do governo para a criação de padrões legais, em vez de navegar por um labirinto de iniciativas voluntárias.

Sob a proposta, grandes empresas terão que informar como obtêm suas commodities tropicais. As companhias também serão impedidas de usarem produtos que forem obtidos a partir da devastação ambiental em seu país de origem.

Porém, as empresas signatárias da carta afirmam que a proposta tem uma grande brecha: agricultores em países desenvolvidos podem com frequência destruir florestas para plantação de culturas voltadas à exportação sem quebrarem nenhuma lei.

Por isso, as empresas querem que a nova legislação britânica se aplique a todos os processos de desmatamento, não apenas aos casos onde a destruição é ilegal.

"A legislação proposta vai continuar a permitir desflorestamento crescente em países como Indonésia e Brasil", disse Robin Willoughby, diretor do grupo Mighty Earth no Reino Unido.

As empresas também estão preocupadas que a legislação não vai se aplicar a empresas menores, que podem importar volumes consideráveis de produtos como borracha de regiões florestais sensíveis.

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