Entenda a queda de preço do petróleo e como afeta seu bolso

Barril chegou a ser vendido a US$ 37,63 nos EUA pela primeira vez; na prática, os vendedores pagam aos compradores para aliviar os estoques 

Coronavírus levou à queda dos preços do petróleo

Coronavírus levou à queda dos preços do petróleo

Pilar Olivares/Reuters

O preço do petróleo vem caindo repetidamente nas últimas semanas e, na última segunda-feira (20), o barril chegou à mínima histórica nos Estados Unidos, a US$ 37,63 negativos, com queda de 305,97%. 

Isto significa que, pela primeira vez na história, os vendedores pagam aos compradores para levar o produto das refinarias e, assim, aliviar os estoques e garantir que continuem a produção para os contratos firmados para o futuro.

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A queda nos preços do petróleo começou no início do mês de março, impulsionada pela pandemia do novo coronavírus.

O alto contágio da doença levou ao isolamento social em diversos lugares do mundo, provocando a menor demanda por combustíveis - afinal, a maior parte dos carros, caminhões, ônibus e demais veículos está na garagem.

Como menos pessoas e empresas comprando, a oferta de petróleo é maior do que o necessário, o que leva à queda do preço para aumentar as chances de vender o produto. 

Isso deve se refletir no bolso do consumidor. Como o preço da gasolina e do diesel varia de acordo com o preço do petróleo nos mercados internacionais, os brasileiros já estão sentindo no bolso a queda nos valores. 

De 1º a 18 de abril deste ano, o preço médio do litro da gasolina ao consumidor ficou em R$ 4,095, valor 10% mais baixo em relação ao cobrado na última semana de dezembro do ano passado (R$ 4,555), segundo dados da ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis).

A tendência é de mais queda de preços para o consumidor. A Petrobras anunciou na segunda-feira (20) a redução de 8% nos preços da gasolina nas refinarias, mas o repasse não é imediato nem total aos brasileiros, já que o repasse depende das distribuidoras, donos de postos e a continuação das reduções de preços feitas pela Petrobras. 

As distribuidoras e postos têm autonomia para repassar ou não os valores mais baixos ao consumidor, já que não há uma legislação específica que os obrigue a isso. 

Na segunda-feira (20), os contratos futuros do petróleo nos Estados Unidos foram negociados em valores negativos pela primeira vez na história, com o primeiro vencimento terminando o dia a US$ 37,63 negativos por barril.

O contrato maio do petróleo dos EUA fechou em queda de US$ 55,90, ou 306%, a - US$ 37,63 por barril, depois de tocar uma mínima histórica de - US$ 40,32 na sessão.