Economia Família acusa plano de saúde por não bancar terapia de bebê especial

Família acusa plano de saúde por não bancar terapia de bebê especial

Criança, que come por aparelhos, não pode sair de casa sem ambulância

Família acusa plano de saúde por não bancar terapia de bebê especial

Liminar é de 30/10/2017

Liminar é de 30/10/2017

Raphael Hakime/ R7 - 23.11.2017

Pietro Galvão dos Santos tem apenas 1 ano de idade, mas já está acostumado a enfrentar uma série de dificuldades por causa da uma parada cardiorrespiratória que sofreu aos 5 meses de vida.

Pietro tem plano de saúde da empresa Ameplan, mas a mãe, Viviane Galvão de Almeida Santos, e a tia Patrícia Galvão de Almeida Santos, afirmam que a empresa não cumpre com obrigações legais, garantidas por liminar judicial do dia 30 de outubro deste ano.

A criança precisa de aparelhos para se alimentar e para respirar e, por isso, depende do tratamento custeado pelo convênio médico.

Além dos aparelhos, Pietro requer terapias diárias com fonoaudiólogos e fisioterapeutas. Para ir até eles, o menino precisa de uma ambulância especial para levá-lo e buscá-lo.

Em casa, os pais e familiares estão acostumados a cuidar do garoto, mas aceitaram a ajuda de uma auxiliar de home care para as tarefas do dia a dia.

A família de Pietro conta que começou a desconfiar de uma delas e instalaram uma câmera. Descobriram que a mulher dava mais medicamentos do que o prescrito e que ela agrediu o bebê, o que causou complicações na saúde da criança.

A família prestou queixa na delegacia e registrou um boletim de ocorrência contra a auxiliar que agrediu o bebê. No entanto, não levaram Pietro para realizar o exame de corpo de delito no IML (Instituto Médico Legal), porque o convênio médico não enviou a ambulância para que o menino pudesse sair de casa.

Desde então, Patrícia, tia do garoto, diz que o convênio médico parou de assistir o bebê adequadamente.

— Eles [convênio] começaram a negar tudo. Agora com isso [agressão da auxiliar], estão alegando que não vão dar mais nada.

A mãe de Pietro afirma não saber a quem recorrer, já que a liminar judicial não foi suficiente para que a empresa fornecesse os cuidados que o bebê necessita.

— O meu convênio fala que é o home care. O home care fala que é o convênio. Eu não sei quem está mentindo.

O texto da decisão judicial, assinado pela juíza Marina Balester Mello de Godoy no dia 30 de outubro deste ano, determina que o convênio médico está submetido a uma multa diária de R$ 1.000 pelo não cumprimento do tratamento acordado, bem como o transporte da criança de ambulância — única forma que ele pode deixar a casa em segurança, já que depende de equipamentos.

A decisão diz que “a não promoção do home care gera evidente risco de dano irreparável ou de difícil reparação ao autor”. Se levado à risca, essa multa já está na casa dos R$ 25 mil, marca atingida neste sábado.

Segundo as familiares de Pietro, o convênio foi o responsável por indicar o home care para o tratamento do bebê. Viviane, que recebe um salário mínimo pelo INSS (R$ 937), paga R$ 540 mensais de convênio médico para Pietro, serviço que inclui acomodação em quarto apartamento. 

Pietro nasceu prematuro de 26 semanas no dia 27 de outubro de 2016. Por ter nascido antes da data prevista, ficou internado no hospital por um mês, por causa de problemas cardíacos. Aos 5 meses, sofreu uma parada cardiorrespiratória e vive com sequelas. Por isso, depende de cuidados médicos intensos e específicos.

A reportagem telefonou para o atendimento e marketing da empresa Ameplan. Também enviou e-mail para o SAC da empresa. Apesar das tentativas, a reportagem não obteve respostas até a publicação. 

Até a noite de sexta-feira, a Ameplan possuía 386 reclamações no site Reclame Aqui. As principais queixas são sobre mau atendimento, demora na execução e qualidade do serviço prestado. 

* Sob supervisão de Raphael Hakime. 

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