Economia Famílias de classe alta são as mais atingidas pela inflação em março

Famílias de classe alta são as mais atingidas pela inflação em março

Apesar da pressão maior entre os mais ricos em 2021, inflação segue mais acentuada para os mais pobres nos últimos 12 meses

  • Economia | Do R7

Inflação de março foi puxada pelos combustíveis

Inflação de março foi puxada pelos combustíveis

Marcelo Camargo/Agência Brasil - 15.03.2021

Pelo segundo mês consecutivo, a inflação pesou no bolso de todas as faixas de renda. No entanto, a alta dos preços em março foi mais sentida entre as famílias de renda média (com ganhos entre R$ 4.127,41 e R$ 8.254,83) e média-alta (de R$ 8.254,83 e R$ 16.509,66).

Assim como em fevereiro, o segmento que mais contribuiu para a alta inflacionária de todas as faixas de renda em março foi o de transportes, impactado principalmente pelo aumento do preço dos combustíveis (11,2%).

Para a classe mais baixa, também pesaram os reajustes de 0,11% dos preços de ônibus urbano e de 1,84% dos trens. As famílias mais ricas ganharam, por outro lado, um alívio inflacionário nesse segmento com a queda de 2% do preço das passagens aéreas e a redução de 3,4% dos aplicativos de transporte.

O resultado acumulado aponta que as famílias mais ricas sofreram uma pressão inflacionária maior do que as mais pobres durante os três primeiros meses de 2021, com altas de 2,3% e 1,6%, respectivamente. No entanto, ao se comparar a inflação acumulada nos últimos 12 meses, nota-se que a taxa de inflação das famílias mais pobres (7,2%) segue acima da observada no segmento mais rico da população (4,7%).

Os dados também mostraram que, quando comparadas com o mesmo período de 2020, todas as faixas de renda sofreram uma aceleração da inflação. As famílias mais ricas foram as que registraram as maiores altas inflacionárias entre esses dois períodos.

Enquanto a inflação para quem recebe até R$ 1.650,50 avançou de 0,25%, em março de 2020, para 0,71% em 2021, o incremento apontado para os que recebem acima de R$16.09,66 foi bem mais significativo: de -0,20% para 1%.

Além do impacto vindo de uma alta bem maior dos combustíveis em 2021, a aceleração inflacionária para as famílias mais ricas pode ser explicada pela pressão vinda do grupo despesas pessoais, com alta de 0,04% ante -0,23% registrada em março de 2020 e da menor deflação das passagens aéreas nesse mês (-2%) se comparada com o mesmo período de 2020 (-16,8%).

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