Economia FGTS: pagar dívida é prioridade, mas há opção para investir

FGTS: pagar dívida é prioridade, mas há opção para investir

Dinheiro começa a cair na conta do trabalhador nesta sexta-feira. Especialistas orientam  a usar dinheiro com cautela, priorizando manter uma reserva 

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Mais de 100 milhões têm direito ao saque dos recursos

Mais de 100 milhões têm direito ao saque dos recursos

Bruno Rocha/ Fotoarena/ Estadão Conteúdo - 22.07.2019

O dinheiro de contas ativas e inativas do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) começará a cair na conta poupança do trabalhador da Caixa, a partir desta sexta-feira (13).

Especialistas recomendam que o dinheiro seja usado com cautela pelos mais de 106 milhões de trabalhadores que têm direito ao saque dos recursos. A primeira opção é quitar ou amortizar dívidas.

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“Se a pessoa tiver dívida, não tem de pensar duas vezes, deve amortizar ou quitar. Se tem uma reserva de emergência e quer trocar a geladeira ou o fogão sem gerar mais dívida, é uma alternativa. Se o trabalhador busca uma opção mais rentável de investimento, também dá”, afirma Silvio Paixão, professor de cenários econômicos e macroeconomia dos cursos de MBA da Faculdade Fipecafi.

Para quem procura um investimento, Paixão orienta que a melhor opção é criar uma reserva de pronta liquidez. “Por ser uma reserva, normalmente usada para emergência, se ele precisar do dinheiro a qualquer momento, ele estará disponível imediatamente para saque.”

O que estará rendendo quase a mesma coisa que o FGTS ou um pouco mais, segundo ele? Caderneta de poupança e fundos de investimentos – Paixão recomenda procurar opções com taxa de administração menor do que 1%.

O Tesouro Direto é outra alternativa, mas não oferece a mesma liquidez que as duas opções anteriores, já que só é possível vender o título apenas na quarta-feira. Segundo Paixão, o ideal para um investimento de até R$ 500 é o Título LFT (Letra Financeira do Tesouro), que paga a Selic, taxa básica de juros, (atualmente em 6% ao ano).

O rendimento atual do FGTS é de cerca de 3% ao ano, mais a TR (Taxa Referencial), que está zerada. Com o anúncio do governo de que o Fundo vai distribuir a seus cotistas R$ 12,2 bilhões referentes ao lucro obtido no ano passado, a rentabilidade das contas vinculadas do FGTS foi ampliada para 6,18%, ficando acima da poupança.

Para Miguel José Ribeiro de Oliveira, diretor-executivo da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), com a redução da taxa básica de juros e o acréscimo da distribuição dos ganhos do Fundo, o rendimento do FGTS ficou igual ou até superior ao da poupança.

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“Assim sendo, só vale a pena o resgate desde que seja para a liquidação de dívidas, já que os juros nos empréstimos são bem maiores do que o rendimento que eventualmente ele teria em qualquer outra aplicação”, comenta Oliveira.

O especialista também acredita que as opções para um investimento de até R$ 500 são poucas. E que em alguns fundos de investimento, além da incidência do IR (Imposto de Renda), que chega a 22,5% do rendimento para prazos de aplicação de até seis meses, ainda têm a cobrança de taxas de administração para pequenos valores são altas.

“Nesses casos, o ganho líquido vai acabar sendo menor do que se aplicado na poupança,  isenta de IR e de taxa de administração”, explica o diretor-executivo da Anefac.

Para Rejane Tamoto, planejadora financeira CFP® e sócia da Fiduc, por ser um valor baixo, é preciso avaliar bem a sua situação financeira pessoal e qual o destino do dinheiro a ser sacado do FGTS.

“Se você não tem nenhuma reserva de emergência — aquele dinheiro que você pode usar para sobreviver por seis meses em caso de perda de emprego ou renda, é preciso prestar atenção. Quem hoje está empregado pelo regime CLT e opta pelo saque anual terá de esperar dois anos para retirar o valor total da conta do FGTS se for demitido. Esses dois anos podem ser uma eternidade para quem não tem nenhuma reserva e precisará contar apenas com o valor da rescisão”, comenta Rejane.

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A dica da especialista é a seguinte: se estiver com muitas dívidas, avalie o quanto R$ 500 aliviará essa situação.

"Se for o suficiente para ajudar a ou eliminar uma dívida de cheque especial ou de cartão de crédito, pode valer a pena sacar. Essas linhas de crédito são de alto custo e é importante se organizar para não voltar a usá-las. ”

Outra avaliação que o trabalhador deve fazer, segundo Rejane, é colocar um objetivo para esse dinheiro.

Para isso é importante se fazer as seguintes perguntas:

• Será para aumentar a reserva de emergência?
• R$ 500 é relevante para ajudar a realizar algum sonho de curto ou médio prazo?
• O valor pode ser destinado para a reserva de longo prazo?

“No planejamento financeiro orientamos as pessoas a investir pensando nesses objetivos e prazos. É preciso avaliar em quais dessas caixinhas esse valor baixo pode ser mais bem aproveitado.”

Ela cita um exemplo: uma pessoa que já tem a reserva de emergência, não está empregada no regime CLT e tem R$ 500 na conta do Fundo, pode sacar o dinheiro para completar o valor de uma viagem de curta distância.

“Se R$ 500 for pouco para esse projeto ou se já tiver o valor da viagem, pode usar o dinheiro do resgate para investir em uma aplicação que sirva para complementar a renda na aposentadoria, como uma previdência privada, por exemplo”.

Questionada sobre se vale a pena apenas sacar do FGTS para investir, apenas para ter mais retorno, Rejane diz: “este ano, o FGTS passará a distribuir 100% dos lucros aos cotistas, o que levará a expectativa de rentabilidade para 6,18% ao ano”.

“Esse percentual é mais do que a Selic (6% ao ano) e a poupança (70% da Selic). No entanto, a possibilidade de sacar o FGTS é uma vez ao ano, e não sabemos o quanto o Fundo terá de lucro no futuro. Então, se for escolher alguma aplicação, observe esses detalhes e os custos das aplicações. É preciso fazer as contas para saber se não estará trocando gato por lebre.”

Arte R7