FGV: Contrato de aluguel vencido em outubro fica 20,93% mais caro

Apesar de perder ritmo e marcar 3,23%, o índice usado para reajustar acordos foi ao maior patamar para o mês desde 2002, quando atingiu 3,87%

Inflação atingiu maior patamar para o mês em 18 anos

Inflação atingiu maior patamar para o mês em 18 anos

Fernanda Carvalho/Fotos Públicas

O contrato de aluguel vencido em outubro vai ficar 20,93% mais caro na hora da renovação anual, segundo o IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado), divulgado nesta quinta-feira (29) pela FGV (Fundação Getulio Vargas). 

Na prática, significa que um contrato anual com parcelas mensais de R$ 800, com vencimento em outubro, terá um reajuste de R$ 167,44. O novo valor na renovação será de R$ 967,44 mensais. 

Um ano atrás, em outubro de 2019, o reajuste no mesmo período de 12 meses foi de 3,15%. Neste caso, o mesmo aluguel de R$ 800 recebeu reajuste de R$ 25,20. O inquilino passou a pagar R$ 825,20 para continuar morando no mesmo imóvel entre outubro de 2019 e outubro de 2020. 

Maior taxa para outubro desde 2002

O IGP-M é o indicador normalmente utilizado para cálculo do reajuste do valor do aluguel no Brasil. Em outubro, desacelerou para 3,23%, frente a 4,34% em setembro. Apesar de ter desacelerado em comparação ao mês anterior, o indicador atingiu o maior patamar para outubro desde 2002, quando ficou em 3,87%. 

De janeiro a outubro deste ano, o índice acumula alta de 18,10%. 

Impacto por setores

O coordenador do Índice de Preços, André Braz, diz que o resultado de outubro foi influenciado principalmente por uma commodity.

"Nesta edição, o IGP-M foi influenciado pela trégua oferecida pelo minério de ferro que contribuiu para a desaceleração da taxa do IPA (5,92% para 4,15%). A variação do preço da commodity passou de 10,81% para -0,71%, movimento que favoreceu o recuo da taxa do grupo matérias-primas brutas (10,23% para 5,55%). Os demais índices componentes do IGP, permaneceram em aceleração. O IPC subiu 0,77%, ante 0,64% em setembro, alta influenciada pelo grupo alimentação (1,30% para 1,90%). Já o INCC (1,15% para 1,69%) subiu graças à aceleração do grupo materiais e equipamentos, cuja taxa passou de 2,97% para 4,12%”, afirma Braz. 

Além de alimentação, os grupos de saúde e cuidados pessoais (-0,52% para 0,04%), vestuário (-0,48% para 0,29%) e comunicação (0,03% para 0,08%) também aceleraram em outubro. 

Os produtos que mais pesaram no bolso em outubro foram as hortaliças e legumes (-3,10% para 2,65%), plano e seguro de saúde (-2,40% para 0,00%), roupas (-0,64% para 0,37%) e tarifa de telefone residencial (0,19% para 1,34%).

Em contrapartida, os grupos transportes (1,07% para 0,12%), habitação (0,50% para 0,32%) e despesas diversas (0,28% para 0,12%) registraram decréscimo em suas taxas de variação.

Estes resultados foram influenciados pela queda nos preços da gasolina (3,36% para -0,34%), tarifa de eletricidade residencial (0,49% para 0,15%) e serviços bancários (0,23% para 0,10%).