Financiamento só garante propriedade do imóvel após quitação das prestações

Especialistas afirmam que é necessário conhecer o próprio patrimônio antes de assinar contrato

Financiamento não garante propriedade do imóvel ao comprador
Financiamento não garante propriedade do imóvel ao comprador Getty Images

Alternativa de muitos brasileiros na hora de comprar a casa própria, o financiamento esconde segredos e o consumidor deve estar ciente de que só será o real proprietário da casa no momento em que quitar todas as prestações.

Segundo o economista e idealizador do blog Quero Ficar Rico, Rafael Seabra, ao realizar um financiamento imobiliário, o imóvel pertence ao banco.

Ele alerta que, se o consumidor passa alguns meses sem arcar com as prestações do contrato, a instituição financeira vai recolher a propriedade e destiná-la a leilão.

— O imóvel só passa a ser seu quando você finalizar sua dívida com o banco. 35 anos é muito tempo e muita coisa pode acontecer na vida das pessoas em um período de tempo como esse.

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Para a conselheira federal do Cofecon (Conselho Federal de Economia), Celina Ramalho, o risco de perder o imóvel em um financiamento é relativo. Ela afirma que dentro da prestação pagas já existe um valor de seguro para cobrir desemprego, falecimento e invalidez. A conselheira do Cofecon, no entanto, indica que é necessário analisar as possibilidades de pagar as prestações até o final.

— Se há preferência de colocar uma garantia familiar com a compra de um imóvel, o consumidor deve encontrar a alternativa mais favorável para a sua acomodação, considerando que dele tem que ter perspectivas de seguir os pagamentos, porque seu patrimônio de afetação corre em juízo a devolução dos bens.

Entre 2014 e 2015, o volume de financiamento imobiliário concedido com base na captação das cadernetas de poupança diminuiu cerca de 30%, de acordo com informações da Abecip (Associação Brasileiros das Empresas de Crédito Imobiliário e Poupança).

O presidente do Creci-SP (Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo), José Augusto Viana Neto, afirma que a redução no número de financiamentos contribuiu para a reviravolta do mercado de imóveis usados entre 2014 e 2015.

— O crédito bancário é a água que move o moinho do mercado de imóveis usados, e, quando ele escasseia, a retração é inevitável.

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