Economia FMI corta previsão de crescimento global por "ondas sísmicas" da guerra da Rússia na Ucrânia

FMI corta previsão de crescimento global por "ondas sísmicas" da guerra da Rússia na Ucrânia

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Reuters - Economia

Por Andrea Shalal

WASHINGTON (Reuters) - O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu nesta terça-feira sua previsão de crescimento econômico global em quase 1 ponto percentual, como efeito da guerra da Rússia na Ucrânia e com um aviso de que a inflação agora é um "perigo claro e presente" para muitos países.

A guerra deve desacelerar o crescimento e aumentar ainda mais a inflação, disse o FMI em seu último relatório Perspectiva Econômica Mundial, no qual alertou que suas estimativas foram marcadas por uma "incerteza incomumente alta".

Novas sanções à energia russa e a ampliação da guerra, uma desaceleração mais acentuada do que o previsto na China e um novo surto da pandemia podem frear ainda mais o crescimento e elevar a inflação, enquanto a alta dos preços pode desencadear agitações sociais.

O credor global, que rebaixou suas previsões pela segunda vez neste ano, disse que agora prevê crescimento global de 3,6% em 2022 e 2023, queda de 0,8 e 0,2 ponto percentual, respectivamente, ante a previsão de janeiro, dados os impactos diretos da guerra na Rússia e Ucrânia e repercussões globais.

O crescimento global no médio prazo deverá esfriar para cerca de 3,3%, em comparação com uma média de 4,1% no período de 2004 a 2013 e com crescimento de 6,1% em 2

"As perspectivas econômicas globais foram severamente prejudicadas, em grande parte por causa da invasão da Ucrânia pela Rússia", escreveu o economista-chefe do Fundo, Pierre-Olivier Gourinchas, em publicação em um blog divulgada nesta terça-feira com o relatório atualizado.

A guerra exacerbou uma inflação que já vinha em alta em muitos países devido a desequilíbrios na oferta e demanda ligados à pandemia, com os últimos bloqueios na China provavelmente causando novos gargalos nas cadeias de suprimentos globais.

A expectativa é que Rússia e Ucrânia experimentem fortes contrações em suas economias, enquanto a União Europeia (UE) --altamente dependente da energia russa-- viu sua previsão de crescimento para 2022 ser cortada em 1,1 ponto percentual.

"A guerra se soma à série de choques de oferta que atingiram a economia global nos últimos anos. Assim como ondas sísmicas, seus efeitos se propagarão por toda parte --através de ligações entre os mercados de commodities, de comércio e financeiros", disse Gourinchas.

O FMI disse que revisou para baixo sua perspectiva de médio prazo para todos os grupos, exceto os países exportadores de commodities que se beneficiam do aumento nos preços de energia e alimentos.

Ele disse que as economias avançadas levarão mais tempo para se recuperar de sua tendência de produção pré-pandemia, enquanto a divergência entre economias avançadas e em desenvolvimento provavelmente persistirá, o que sugere algumas "cicatrizes permanentes" da pandemia.

"PERIGO CLARO E PRESENTE"

O Fundo disse que a inflação agora deve permanecer mais alta por mais tempo, impulsionada pelos avanços dos preços das commodities induzidos pela guerra e pelas crescentes pressões sobre os preços, e alertou que a situação pode piorar se os desequilíbrios entre oferta e demanda se aprofundarem.

Para 2022, o FMI prevê inflação de 5,7% nas economias avançadas e de 8,7% nas economias emergentes e em desenvolvimento, saltos de 1,8 e 2,8 pontos percentuais em relação às previsões de janeiro.

"A inflação se tornou um perigo claro e presente para muitos países", escreveu Gourinchas no blog.

Ele disse que o Federal Reserve (dos EUA) e muitos outros bancos centrais já adotaram uma política monetária mais rígida, mas as interrupções relacionadas à guerra estão amplificando essas pressões.

O FMI disse haver risco crescente de que as expectativas de inflação fiquem desancoradas, levando a uma resposta mais agressiva de aperto monetário, o que pode pressionar uma gama mais ampla de economias de mercados emergentes.

As condições financeiras ficaram mais apertadas para os mercados emergentes e países em desenvolvimento imediatamente após a invasão, e a reprecificação foi "de forma geral ordenada", mas um aperto monetário adicional era possível, bem como saídas de capital.

A guerra também intensificou o risco de uma fragmentação mais permanente da economia mundial em blocos geopolíticos com padrões tecnológicos, sistemas de pagamento transfronteiriços e moedas de reserva distintos.

"Tal 'mudança tectônica' causaria perdas de eficiência a longo prazo, aumentaria a volatilidade e representaria um grande desafio para a estrutura baseada em regras que governou as relações internacionais e econômicas nos últimos 75 anos", afirmou Gourinchas.

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