Economia Fundo de pensão canadense CPPIB planeja mais que dobrar investimentos na América Latina até 2025

Fundo de pensão canadense CPPIB planeja mais que dobrar investimentos na América Latina até 2025

Por Gabriela Mello

SÃO PAULO (Reuters) - O Canada Pension Plan Investment Board (CPPIB) tem a meta de aumentar os investimentos na América Latina até 2025 para algo em torno de 29 bilhões a 30 bilhões de dólares canadenses, dos quais metade serão alocados no Brasil, afirmaram executivos do fundo de pensão canadense nesta quinta-feira.

Ao fim de junho deste ano, o CPPIB tinha 12,3 bilhões de dólares canadenses investidos na América Latina, o equivalente a 3,4 por cento do montante global de 366,6 bilhões de dólares canadenses. Só no Brasil, os investimentos do fundo de pensão que está entre os 10 maiores do mundo somam quase 4 bilhões de dólares canadenses.

"O Brasil é um dos nossos principais focos em mercados emergentes, ao lado de China e Índia... Vemos oportunidades interessantes para nossa carteira e é por isso que temos 20 pessoas aqui em nosso escritório dedicadas à região", disse o presidente-executivo global do CPPIB, Mark Machin.

Hoje, o fundo de pensão canadense concentra sua atuação no mercado brasileiro em ativos imobiliários por meio de parcerias com a Aliansce, a Cyrela Commercial Properties (CCP) e a Global Logistic Properties (GLP).

Em dezembro do ano passado, o CPPIB ingressou na indústria de energia renovável no Brasil por meio de uma joint venture com a Votorantim Energia, aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) em março deste ano.

Outras áreas no Brasil que despertam o interesse do fundo são infraestrutura, óleo e gás e recursos naturais, ressaltou o diretor para América Latina, Rodolfo Spielmann. Além disso, o CPPIB ainda avalia investimentos de private equity em negócios de tecnologia voltados para os setores financeiro e de educação.

"Estamos de olho em fintechs e edutechs já lucrativas, crescendo rápido e com potencial para IPO (oferta pública inicial de ações)... Há companhias interessantes", afirmou Spielmann, citando o setor financeiro como "absolutamente estratégico".

O comércio eletrônico, ainda muito incipiente no Brasil, também não está fora do radar, segundo o diretor do CPPIB para América Latina. "Temos interesse em propostas disruptivas, que rompem com os canais tradicionais", acrescentou.

Questionados sobre a indefinição no cenário político e os rumos da economia, os dois executivos destacaram a importância de um novo governo dar prioridade ao déficit fiscal. "A situação fiscal é onde todos deveriam estar focados", disse Machin, sem citar candidatos.

Ressaltando o perfil de longo prazo dos investimentos do CPPIB, Spielmann observou que o fundo preza por um ambiente regulatório estável, instituições sólidas e respeito à propriedade privada. "Acreditamos em um longo prazo em que não haja risco à democracia", disse.

    Access log