Economia Geadas voltam ao Brasil nesta semana e ameaçam áreas de café, cana, trigo e milho safrinha

Geadas voltam ao Brasil nesta semana e ameaçam áreas de café, cana, trigo e milho safrinha

COMMODS-AGRO-GEADA:Geadas voltam ao Brasil nesta semana e ameaçam áreas de café, cana, trigo e milho safrinha

Reuters - Economia

Por Nayara Figueiredo

SÃO PAULO (Reuters) - Uma nova frente fria causou geadas na região centro-sul do Brasil nesta semana, gerando riscos para lavouras de café, cana-de-açúcar, milho segunda safra e trigo, menos de um mês após uma onda de frio excessivo que já prejudicou algumas destas culturas.

A Rural Clima informou em boletim nesta terça-feira que importantes áreas produtoras de cana e café foram atingidas pelo fenômeno climático, nos Estados de São Paulo e Minas Gerais. No Paraná, que acaba de concluir o plantio de trigo, também houve impacto que ainda será mensurado.

"O estrago foi feio. Não dá para quantificar de fato o tamanho desta geada, mas a gente sabe que foi feia sim. E só ao longo dos próximos dias que vamos ter uma dimensão das reais condições", disse o diretor da consultoria de serviços meteorológicos, Marco Antonio dos Santos.

Segundo ele, a massa de ar polar vai começar a perder força a partir de quarta-feira, mas no próximo sábado, uma nova frente fria deve avançar pelo Rio Grande do Sul --onde também há trigo em fases iniciais de desenvolvimento.

O meteorologista da Somar Celso Oliveira disse que as atenções estariam no café, já que o ápice do frio seria visto nas áreas de cultivo do grão nesta terça-feira.

"O produtor está quieto nas vendas, apostando no frio", acrescentou o analista da consultoria Safras & Mercado Gil Barabach, estratégia que contribui para impulsionar as cotações da commodity.

Na bolsa de Nova York, o mercado reagiu ao movimento ocorrido no Brasil. Os contratos do café arábica para setembro fecharam em alta de 10,4 centavos de dólar, ou 6,6%, a 1,668 dólar por libra-peso, próximos de um pico de quatro anos e meio.

Para a cana-de-açúcar, o efeito das geadas só será precisamente sabido em alguns dias, quando as usinas e produtores apurarem as áreas afetadas, afirmou a analista da IHS Markit Leydiane Brito. Ela acredita que, a princípio, Paraná e Centro-Oeste foram as regiões mais atingidas.

"A percepção nesse primeiro momento é de que poderá sim, acentuar uma já prevista redução de moagem da atual safra (2021/22), à medida que compromete índices de produtividade e de teor de açúcar da cana", disse a analista.

CEREAIS

O milho segunda safra foi atingido na geada anterior, no fim de junho. Agora, a nova ocorrência de frio excessivo torna mais complicado o cenário para as lavouras que já haviam sido afetadas, de acordo com a consultoria AgRural.

"Para a safrinha, uma área ou outra que não pegou a geada do fim de junho e que foi atingida agora deve ter perdas, principalmente se a lavoura estiver ainda em enchimento de grãos", afirmou o analista da AgRural Adriano Gomes.

Ele disse que as lavouras que ainda não estão em fase de maturação são as que sofrem maior dano por geada, dependendo da intensidade do fenômeno.

No Paraná, dados do Departamento de Economia Rural (Deral) divulgados nesta terça-feira indicam que pouco mais de 40% das áreas de milho safrinha estão nestas etapas mais suscetíveis a perda pelo frio, sendo 4% em floração e 37% em frutificação.

O analista de milho do Deral Edmar Gervásio disse que o impacto das geadas desta semana só poderá ser avaliado a partir de sete dias do fenômeno. "No momento, (há) somente relatos que pode ter impactado pontualmente", adiantou.

Já para o trigo, o analista do Deral Carlos Hugo Godinho ressaltou que 9% das lavouras do Paraná --principal Estado produtor da cultura-- estão em fase de floração, período em que a planta está mais exposta a danos pelo frio.

"Desses 9%, uma boa parte está na faixa norte do Estado, que foi menos castigada com essas primeiras geadas. Deve ter muitas áreas ainda que escapam de ter problemas", estimou.

"Mas indo para o sul, centro-oeste e sudoeste (paranaense), tinham algumas lavouras adiantadas e essas devem ter algum problema. Com certeza haverá alguma interferência na produção, mas fica limitada a essas áreas por enquanto."

(Por Nayara Figueiredo; com reportagem adicional de Ana Mano)

Últimas