Ibovespa começa abril com forte queda em meio a persistentes preocupações sobre Covid-19

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - O tom negativo prevalecia na bolsa paulista nesta quarta-feira, com abril começando sem trégua na aversão a risco decorrente de persistentes preocupações e dúvidas sobre os efeitos da pandemia de um novo coronavírus nas economias em todo o mundo.

Por volta de 12:05, o Ibovespa caía 2,7%, a 71.050,82 pontos. O volume financeiro somava 6,2 bilhões de reais.

"Ao que tudo indica, passado o fluxo de rebalanceamento das carteiras no final do mês e do trimestre, voltamos a uma dinâmica negativa", afirmou o estrategista Dan Kawa, sócio na TAG Investimentos, em comentários a clientes.

Ele avalia que houve avanços significativos em alguns pilares de sustentação para os mercados, mas que ainda é necessária uma melhor visibilidade sobre quando países ocidentais irão 'achatar' a curva de contágio.

"Enquanto não tivermos uma visibilidade destes pontos, não teremos certeza do tamanho da quarentena e dos impactos econômicos de toda esta situação."

O cenário nebuloso à frente, apesar do tombo de quase 30% do Ibovespa em março, diante da forte aversão a risco que dominou os mercados com a rápida disseminação do Covid-19, se refletiu em cautela nas estratégias de ações para abril.

"Com um cenário incerto à frente, nós decidimos aumentar a qualidade e o perfil defensivo do nosso portfólio, além de deixá-lo mais diversificado", escreveram Carlos Sequeira e Osni Carfi, do BTG Pactual, em relatório a clientes.

Para a equipe da BB Investimentos, o mercado financeiro está vivendo momentos de pânico, apoiados no cenário recessivo da economia global, cujos impactos começam a ser calculados, mas ainda sem uma clara definição do real choque econômico.

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DESTAQUES

- AZUL PN e GOL PN recuavam 14,07% e 12,05%, entre as maiores quedas do Ibovespa, sem sinais de alívio no ritmo de contágio do Covid-19 e de perspectivas de cancelamento das restrições à circulação de pessoas. A valorização do dólar em relação ao real era mais uma pressão negativa para o setor.

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- CVC BRASIL ON perdia 11,71%, com o setor de turismo entre os mais afetados pela pandemia. A alta do dólar ante o real também pesa, assim como divulgação recente sobre evidências de erros contábeis. A operadora de turismo adiou a divulgação de suas demonstrações de resultados referentes a 2019 sem marcar nova data.

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- VIA VAREJO ON caía 8,71%, tendo de pano de fundo comunicado da XP Gestão de que reduziu participação na companhia. A carteira recomendada da XP Investimentos para abril também excluiu os papéis. No setor, MAGAZINE LUIZA perdia 1,41% e B2W ON subia 0,06%.

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- ITAÚ UNIBANCO PN e BRADESCO PN recuavam 5,03% e 4,72%, respectivamente, contaminados pela aversão a risco, além de preocupações sobre os efeitos no setor bancário em razão dos reflexos da epidemia de Covid-19 na economia brasileira. BANCO DO BRASIL ON caía 4,77%.

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- PETROBRAS PN mostrava volatilidade, com variação negativa de 0,5%, em sessão marcada pelo declínio dos preços do petróleo no exterior em razão de preocupações com a demanda e após valorização relevante na véspera. PETROBRAS ON cedia 1,13%.

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- VALE ON subia 0,93%, entre poucas ações com sinal positivo. A mineradora disse que poderá haver impacto no volume de produção de finos de minério de ferro em 2020 se falhar em elevar a capacidade de produção em sua mina de Brucutu ou se não obtiver até o final do segundo trimestre uma reavaliação do nível de emergência da barragem Norte/Laranjeiras.