Economia Ibovespa fecha em queda com alerta do Fed sobre surto de coronavírus

Ibovespa fecha em queda com alerta do Fed sobre surto de coronavírus

Reuters

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - O Ibovespa caiu nesta terça-feira numa sessão volátil, marcada por decisão extraordinária do Federal Reserve de cortar juros nos EUA devido ao surto de coronavírus, com o chairman do banco central norte-americano alertando que o vírus representa um risco material para as perspectivas econômicas.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 1,02%, a 105.537,14 pontos. O volume financeiro somou 34,5 bilhões de reais.

Após uma manhã sem tendência definida, o Ibovespa chegou a subir 2%, logo após o Fed anunciar corte dos juros em 0,50 ponto percentual, para uma meta de 1% a 1,25%, em decisão unânime e seu primeiro corte de juros emergencial desde a crise financeira de 2008.

"O coronavírus apresenta riscos crescentes para a atividade econômica. À luz desses riscos e em apoio ao cumprimento de suas metas de máximo emprego e estabilidade de preços, o Comitê Federal de Mercado Aberto decidiu hoje reduzir a meta" para a taxa de juros, afirmou o Fed em comunicado.

As bolsas em Nova York também reagiram com ganhos à decisão, mas o clima azedou na sequência, em meio a comentários do chairman do Fed, Jerome Powell, citando mudança no balanço de riscos e que é necessária uma resposta multifacetada para proteger as economias dos efeitos do vírus, que, segundo ele, não estão aparecendo nos dados ainda.

Participantes do mercado chamaram atenção para o timing, pelo fato de o Fed não ter esperado seu encontro neste mês. "O Fed adiantar esse corte, ainda mais tendo reunião em duas semanas, sugere que a situação é bem pior do que parece", disse o gestor de uma empresa ligada a previdência complementar.

Na mínima da sessão, após a fala de Powell, o Ibovespa chegou a 104.404,82 pontos.

Na visão da equipe do Bank of America, o Fed deve promover outros cortes ainda no juro, sendo o próximo de 0,25 ponto na reunião já agendada para 17 e 18 deste mês, e outro similar em abril. "O Fed parece comprometido em antecipar os cortes, agindo de forma agressiva e vigorosa", destacou em nota a clientes.

Mais cedo, ministros das Finanças e presidentes dos bancos centrais do G7 disseram que usarão todas as ferramentas econômicas apropriadas para se proteger contra os riscos negativos do surto da doença.

O surto de coronavírus, que começou na China, se espalhou para mais de 60 países e matou mais de 3 mil pessoas no mundo.

Investidores têm reagido com fortes vendas nos mercados acionários globais desde o final de fevereiro à rápida disseminação do novo vírus para outros países além da China, entre eles os Estados Unidos, em razão de temores sobre o impacto negativo na economia mundial. No Brasil, tal cenário pode atropelar uma amplamente aguardada retomada econômica.

O Goldman Sachs cortou nesta terça-feira sua projeção para a expansão do PIB brasileiro em 2020, de 2,2% para 1,5%, bem como de outros países da América Latina, citando expectativa de impacto significativo no crescimento global, um número crescente de infecções por Covid-19 na região e condições financeiras mais difíceis dado o aumento da aversão ao risco e dos prêmios.

A cena política dos Estados Unidos também era monitorada, mais especificamente a "Super Terça", com 14 Estados norte-americanos realizando eleições primárias nesta terça-feira no processo de escolha do candidato democrata a desafiar o presidente republicano Donald Trump em novembro.

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DESTAQUES

- BRF ON caiu 7,27%, mesmo após reportar lucro no quarto trimestre, com analistas afirmando que o Ebitda ficou abaixo do esperado. A companhia também revisou sua projeção de endividamento. Em teleconferência, executivos afirmaram que a margem bruta de 25% no quarto trimestre se mostrou sustentável.

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- IRB BRASIL RE ON recuou 7,74%, na terceira queda seguida, com a cotação marcando mínima intradia em cerca de um ano. O papel segue afetado pelos ruídos ligados à contabilidade dos resultados da resseguradora, além da renúncia do presidente do conselho de administração anunciada na véspera. Em 2020, o papel já acumula queda 28%.

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- VALE ON ficou estável. O Morgan Stanley elevou a recomendação dos papéis da Vale negociados em Nova York para 'overweight', com preço-alvo de 13,5 dólares, defendendo que estão "muito baratos para ignorar". Eles estimam retomada dos dividendos no segundo semestre do ano.

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- MRV ON caiu 3,36%, após divulgar balanço trimestral, com lucro líquido de 151 milhões de reais de outubro a dezembro, queda de 5,6% ante mesma etapa de 2018. A receita líquida da companhia no período somou 1,42 bilhão de reais, foi 9,5% menor do que um ano antes. Para o Bradesco BBI, a margem bruta da empresa seguirá pressionada.

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- ITAÚ UNIBANCO PN caiu 1,82% e BRADESCO PN recuou 2,59%, com o setor de bancos no vermelho.

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- PETROBRAS PN cedeu 1,81%, conforme os preços do petróleo também perderam força no mercado internacional, com o Brent fechando em baixa de 0,08%.

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- HYPERA ON avançou 2,63%, renovando recorde, ainda embalada na recepção positiva ao anúncio na véspera da compra de ativos latino-americanos da japonesa Takeda por 825 milhões de dólares, maior aquisição da empresa brasileira. Na segunda-feira, os papéis dispararam 16,6%.

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