Economia Ibovespa recua com apreensão sobre real efeito de coronavírus na economia após Fed

Ibovespa recua com apreensão sobre real efeito de coronavírus na economia após Fed

Reuters

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - O Ibovespa voltava a trabalhar no terreno negativo na tarde desta terça-feira, em sessão bastante volátil, marcada por decisão extraordinária do Federal Reserve de cortar os juros dos Estados Unidos em razão do surto de coronavírus, enquanto o chairman do banco central norte-americano alertou que o vírus representa um risco material para as perspectivas econômicas.

Às 16:43, o Ibovespa caía 1,83%, a 104.672,88 pontos. O volume financeiro no pregão somava 26,5 bilhões de reais.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa tocou a máxima da sessão, a 108.803,58 pontos, em alta de 2%, logo após o Fed anunciar corte dos juros em 0,50 ponto percentual, para uma meta de 1,00% a 1,25%, em decisão unânime e seu primeiro corte de juros emergencial desde a crise financeira.

"Os fundamentos da economia dos EUA permanecem fortes. No entanto, o coronavírus apresenta riscos crescentes para a atividade econômica. À luz desses riscos e em apoio ao cumprimento de suas metas de máximo emprego e estabilidade de preços, o Comitê Federal de Mercado Aberto decidiu hoje reduzir a meta" para a taxa de juros, afirmou o Fed em comunicado.

As bolsas em Nova York também reagiram com ganhos à decisão, mas o fôlego arrefeceu na sequência, em meio a comentários do chairman do Fed, Jerome Powell, citando mudança no balanço de riscos e que é necessária uma resposta multifacetada para proteger as economias dos efeitos do vírus, que, segundo ele, não estão aparecendo nos dados ainda.

O coronavírus, que começou na China, se espalhou para mais de 60 países e matou mais de 3 mil pessoas em todo o mundo.

Na visão da equipe do Bank of America, o Fed deve promover outros cortes ainda no custo do dinheiro, sendo o próximo de 0,25 ponto também neste mês, na reunião já agendada para os dias 17 e 18, e outro de 0,25 ponto em abril. "O Fed parece comprometido em antecipar os cortes, agindo de forma agressiva e vigorosa", destacou em nota a clientes.

Participantes do mercado ouvidos pela Reuters chamaram atenção para o timing, pelo fato de o Fed não ter esperado sua reunião neste mês. "O Fed adiantar esse corte, ainda mais tendo reunião em duas semanas, sugere que a situação é bem pior do que parece", afirmou o gestor de uma empresa ligada a previdência complementar com sede no Rio de Janeiro.

Na mínima da sessão, após a fala de Powell, o Ibovespa chegou a 104.404,82 pontos.

Mais cedo, ministros das Finanças e presidentes dos bancos centrais do G7 disseram que usarão todas as ferramentas econômicas apropriadas para alcançar um crescimento forte e sustentável e se proteger contra os riscos negativos do coronavírus.

Investidores tem reagido com fortes vendas nos mercados acionários globais desde o final de fevereiro à rápida disseminação do novo coronavírus para outros países além da China, entre eles os Estados Unidos, em razão de temores sobre o impacto negativo na economia mundial. No Brasil, tal cenário pode minguar uma amplamente aguardada retomada econômica.

O Goldman Sachs cortou nesta terça-feira sua projeção para a expansão do PIB brasileiro em 2020, de 2,2% para 1,5%, bem como de outros países da América Latina, citando expectativa de impacto significativo no crescimento global, um número crescente de infecções por Covid-19 na região e condições financeiras mais difíceis dado o aumento da aversão ao risco e dos prêmios.

A cena política dos Estados Unidos também era monitorada, mais especificamente a "Super Terça", com 14 Estados norte-americanos realizando eleições primárias nesta terça-feira e colocando em jogo um grande número dos delegados que vão definir quem será o candidato democrata a desafiar o presidente republicano Donald Trump em novembro.

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DESTAQUES

- BRF ON caía 6,1%, mesmo após reportar lucro no quarto trimestre, conforme analistas afirmaram que o Ebitda ficou abaixo do esperado. A companhia também anunciou revisão da sua projeção sobre endividamento. Em teleconferência, executivos afirmaram que a margem bruta de 25% no quarto trimestre se comprovou sustentável.

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- IRB BRASIL RE ON recuava 7,45%, na terceira queda seguida, com a cotação marcando mínima intradia em cerca de um ano. O papel segue afetado pelos ruídos relacionados à contabilidade dos resultados da resseguradora, além da renúncia do presidente do conselho de administração divulgada na segunda-feira. Em 2020, o papel já acumula queda de mais de 25%.

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- VALE ON cedia 0,22%, contaminada pela deterioração no sentimento de investidores em geral. O Morgan Stanley elevou a recomendação dos papéis da Vale negociados em Nova York para 'overweight', com preço-alvo de 13,5 dólares, defendendo que estão "muito baratos para ignorar". Eles estimam retomada dos dividendos no segundo semestre do ano.

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- MRV ON perdia 5,95%, após divulgar balanço trimestral, com lucro líquido de 151 milhões de reais de outubro a dezembro, uma queda de 5,6% ante mesma etapa de 2018. A receita líquida da companhia no período somou 1,42 bilhão de reais, foi 9,5% menor do que um ano antes. Para o Bradesco BBI, a margem bruta da empresa seguirá pressionada.

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- ITAÚ UNIBANCO PN recuava 2,7% e BRADESCO PN cedia 3%, também pesando no Ibovespa, com o setor de bancos do Ibovespa como um todo no vermelho nesta sessão.

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- PETROBRAS PN caía 2,6%, conforme os preços do petróleo também perderam força no mercado internacional, com o Brent fechando em baixa de 0,08%.

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- HYPERA ON avançava 2%, renovando cotações recordes, ainda embalada na recepção positiva ao anúncio na véspera da compra de ativos latino-americanos da japonesa Takeda Pharmaceutical por 825 milhões de dólares, maior aquisição da história da farmacêutica brasileira. Na segunda-feira, os papéis fecharam em alta de 16,6%.

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