Economia Inflação de 2020 deve ficar acima da meta com conta de luz mais cara

Inflação de 2020 deve ficar acima da meta com conta de luz mais cara

Decisão da Aneel de reativar o sistema de bandeiras tarifárias levou ao aumento das projeções para o IPCA neste ano

Reuters - Economia
Expectativas apontam para IPCA mais baixo em 2021

Expectativas apontam para IPCA mais baixo em 2021

Pixabay

O mercado financeiro deu início a uma rodada de aumento nas projeções de inflação depois de a Aneel (Agência Nacional de Energia Elética) informar que os preços da energia elétrica ficarão mais caros a partir deste mês, com as estimativas para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplos) — a inflação oficial — indo acima do centro da meta perseguida pelo BC (Banco Central) neste ano.

A Aneel decidiu nesta segunda-feira (30), em reunião extraordinária, reativar o sistema de bandeiras tarifárias nas contas de luz a partir de dezembro, estabelecendo para este mês a bandeira vermelha patamar 2, que prevê as condições mais custosas de geração e impõe custos adicionais ao consumidor.

Leia mais: Conta de luz fica mais cara a partir de hoje. Saiba economizar

O Itaú Unibanco informou nesta terça que elevou a 4,3% o prognóstico para a inflação ao consumidor em 2020, incorporando o anúncio da Aneel. Com isso, o IPCA superaria o centro da meta definida pelo CMN para este ano, de ​4%, mas ainda ficaria confortavelmente aquém do teto da banda permitida, que vai de 2,5% a 5,5%.

A previsão do Itaú contempla alta próxima de 0,8% no IPCA de novembro e de 1,2% em dezembro, segundo Julia Passabom, que integra o time de pesquisa macroeconômica do banco, chefiado pelo ex-diretor do BC Mario Mesquita.

"A decisão não era esperada, uma vez que a agência havia anunciado bandeira verde em todos os meses até dezembro, e possui impacto de +0,45 p.p. na leitura de dezembro. Incorporamos também, além do efeito da bandeira, revisão de +0,08 p.p. em outros itens, principalmente na parte de alimentos (tubérculos e proteína)", afirmou Passabom em relatório.

O Itaú vê alta de 2,5% em preços administrados em 2020. Com a bandeira de dezembro, energia elétrica deve subir perto de 10% no ano, conforme a economista.

O banco projeta elevação de 4,9% nos preços livres em 2020, com acréscimo de 17% em alimentação no domicílio, seguindo o choque recente no preço de commodities agrícolas em reais. Entre os demais preços livres, o departamento econômico do Itaú vê alta de 2,8% em industriais e de 1,8% em serviços e aumento de 2,4% no IPCA-EX3, indicador subjacente de serviços e industriais.

Já o Barclays elevou o prognóstico para o IPCA a 4,2%, de 3,6% antes. O banco calcula que o aumento nas contas de luz pode ficar entre 7,1% e 10,7% versus os custos sob a bandeira verde.

Na planilha da XP, o impacto da antecipação do sistema de bandeiras tarifárias e já para a cor vermelha eleva o IPCA 2020 em 45 pontos-base, com o índice devendo marcar alta de 4,3% no ano fechado, acima dos 3,6% previstos em meados de novembro.

2021

Por outro lado, duas dessas três instituições financeiras revisaram para baixo os números para o IPCA do ano que vem, considerando bandeira amarela em dezembro de 2021.

A XP passou a ver alta de 3,5% do índice, um pouco abaixo dos 3,6% estimados em meados de novembro.

O Barclays baixou a 3,4% o IPCA esperado para 2021, de 3,6% antes, levando em consideração as mudanças nas bandeiras, embora o movimento seja parcialmente compensado por outras pressões de alta.

O banco cita que a expectativa de bandeira amarela em dezembro de 2021 não representaria mais um aumento líquido nas contas em 2021, como teria sido o caso se fosse verde em dezembro de 2020.

No atual cenário, com a bandeira passando de vermelho 2 de agora para amarelo no final do ano que, haveria redução de 7,5% nas contas de luz, ou cerca de 33 pontos-base no IPCA, tudo mais constante.

Já o Itaú manteve a projeção para 2021 em 3,1%. "O impacto deflacionário da bandeira tarifária no próximo ano (esperamos bandeira amarela em dez/21) é compensado por revisões altistas recentes na expectativa de outros preços administrados, principalmente o reajuste de plano de saúde anunciado há algumas semanas pela ANS", disse o banco em relatório.

Mas o Itaú ainda espera que o ambiente de expectativas de inflação "ancoradas" e "elevada" capacidade ociosa da economia exerça pressões baixistas em 2021. "Os principais riscos para a nossa projeção estão relacionados à desancoragem fiscal, com efeitos potenciais sobre expectativas inflacionárias, depreciação cambial adicional e seu grau de repasse para os demais preços na economia."

Últimas