Inflação

Economia Inflação de setembro é a maior em 27 anos e supera 10% em um ano

Inflação de setembro é a maior em 27 anos e supera 10% em um ano

Salto de 1,16% do IPCA no mês passado faz índice oficial de preços acumular alta de 10,25% nos últimos 12 meses, aponta IBGE

  • Economia | Do R7

Inflação acumulada já flerta com o triplo da meta

Inflação acumulada já flerta com o triplo da meta

Marcello Casal Jr Agência Brasil - 16.9.2021

Guiada pela alta de 6,5% das contas de luz, a inflação oficial de preços disparou 1,16% em setembro, de acordo com dados divulgados nesta sexta-feira (8) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Trata-se do maior avanço para o mês desde 1994, quando o índice foi de 1,53%. 

Com a variação, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) acumula alta de 10,25% nos últimos 12 meses. O resultado se aproxima do triplo da meta estabelecida pelo governo, de 3,75% para este ano. Já em 2021, a inflação soma alta de 6,9%.

Mais uma vez, o resultado da inflação foi puxado pelo aumento das tarifas de energia elétrica (+6,47%). A variação é justificada pela adoção da bandeira tarifária “escassez hídrica”, que acrescenta R$ 14,20 à conta de luz a cada 100 kWh consumidos. Em agosto, vigorou a bandeira vermelha patamar 2, em que o acréscimo é menor, de R$ 9,49. Além disso, houve reajustes tarifários em Belém, Vitória e São Luís.

O gerente responsável pelo indicador, Pedro Kislanov, explica que a troca da bandeira tarifária ocorreu devido ao avanço da crise hídrica e impacta diretamente o bolso das famílias. "A falta de chuvas tem prejudicado os reservatórios das usinas hidrelétricas, que são a principal fonte de energia elétrica no país. Com isso, foi necessário acionar as termelétricas, que têm um custo maior de geração de energia", diz ele.

O preço do gás de botijão (3,91%) continua em alta pelo 16º mês consecutivo, o que também contribuiu para o salto de 2,56% nos itens que compõem o grupo habitação. Kislanov atribui a variação à sequência de aumentos do GLP (gás liquefeito de petróleo), popularmente conhecido como gás de cozinha, nas refinarias pela Petrobras. "Há ainda os reajustes aplicados pelas distribuidoras. Com isso, o preço para o consumidor final tem aumentado a cada mês", explica o gerente.

Além da habitação, os preços de sete dos demais oito grupos de produtos e serviços pesquisados subiram em setembro. Os transportes (+1,82%) ficaram novamente mais caros por causa dos combustíveis, que subiram 2,43%, influenciados pelos valores da gasolina (+2,32%) e do etanol (+3,79%). No acumulado dos últimos 12 meses, a gasolina já aumentou 39,6% e o etanol, 64,77%. Também subiram no mês o gás veicular (+0,68%) e o óleo diesel (+0,67%).

As passagens aéreas (28,19%) tiveram a maior alta entre os itens não alimentícios no mês, após queda de 10,69% em agosto, registrando o terceiro maior impacto individual no índice geral. O preço do transporte por aplicativo, por sua vez, avançou 9,18%.

No mês, habitação, transporte e alimentação e bebidas contribuíram com cerca de 86% na alta do IPCA (ou 1 ponto percentual do total de 1,16%). Os demais grupos ficaram entre a queda de 0,01% em educação e a alta de 0,9% nos artigos para a residência.

Alimentos

Os itens do grupo alimentação e bebidas subiram 1,02% no mês passado, o que representa uma leve desaceleração em relação à alta de 1,39% apurada no mês de agosto. A variação em ritmo menor ocorre, principalmente, pelo recuo de 0,21% no preço das carnes, após sete meses consecutivos de alta, que guiou uma alta menor da alimentação no domicílio (+1,19%).

Kislanov avalia que a queda no preço das carnes pode estar relacionada à redução das exportações para a China. "No início do mês, houve casos do mal da vaca louca na produção brasileira. Com a suspensão das exportações, aumentou a oferta de carne no mercado interno, o que pode ter reduzido o preço”, explica.

Também recuou o preço da cebola (-6,43%), do pão francês (-2%) e do arroz (-0,97%). Por outro lado, as frutas (5,39%), o café moído (5,50%), o frango inteiro (4,50%) e o frango em pedaços (4,42%) continuam entre os maiores impactos na alimentação dentro de casa.

A alimentação fora do domicílio também subiu em ritmo menor, passando de 0,76%, em agosto, para 0,59%, em setembro. O principal fator foi o recuo do lanche (-0,35%), que havia subido 1,33% no mês anterior. A refeição teve alta de 0,94%, valor acima do 0,57% observado em agosto.

Últimas