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Economia Inflação dos alimentos chega a 15% em 2020, dizem supermercados

Inflação dos alimentos chega a 15% em 2020, dizem supermercados

Associação do setor afirma que foi a maior elevação da década influenciada pelos efeitos da pandemia de coronavírus 

  • Economia | Do R7

Alta acumulada chega a 15,02% nos supermercados

Alta acumulada chega a 15,02% nos supermercados

Reprodução

A inflação dos alimentos nos supermercados de São Paulo fechou o ano de 2020 com uma alta acumulada de 15,02%, o maior percentual da década. Segundo a Apas (Associação Paulista de Supermercados), o Índice de Preços dos Supermercados, calculado pela Apas/Fipe, apresentou aumento em dezembro de 2,2%.

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Em 2019, a inflação nos alimentos foi de 5,73%. "Tivemos uma aceleração incomum nos preços de algumas categorias, o que deixou o ano de 2020 com o percentual de 15,02%, o maior da década, superando os 11,33% do ano de 2015", afirma o presidente da Apas, Ronaldo dos Santos.

Ele explica que os principais fatores que contribuíram para este aumento são reflexos da pandemia, como a desvalorização do real, a exportação de grãos utilizados majoritariamente para ração, como a soja e o milho, o encarecimento dos custos de produção puxado pela alta no preço da energia elétrica, o aumento no custo dos combustíveis impactando o transporte e o aumento expressivo da demanda para o consumo caseiro.

As carnes bovina e suína registraram altas de 16,3% e 31,5%, respectivamente. Como fatores de aumento dos preços, o crescimento dos custos de produção, entre eles o aumento do preço da soja e milho, de mais de 60%, que são os insumos da ração animal, afetaram de maneira expressiva os preços das carnes.

A Apas afirma ainda que a demanda internacional também contribuiu porque as exportações têm sido impulsionadas pelo câmbio mais desvalorizado do real frente ao dólar. Os preços dos produtos industrializados fecharam 2020 com alta de 14,50%, impactados principalmente pela elevação dos preços dos derivados do leite (15,60%), leite em pó (20,14%) e o queijo muçarela (35,55%).

A carne bovina (16,36%) e suína (31,56%) e muçarela (35,55%), segundo a associação, já ficaram mais caros em 2021 porque sofreram reajuste de alíquota do ICMS, promovido pelo governo estadual desde o dia 15 de janeiro. A alíquota da carne foi reajusta em + 0,2% e do queijo em + 1,30%.

“Reitero a posição externada por nossa entidade, solicitando ao governo do estado que volte atrás nos aumentos de impostos sobre alimentos que promoveu na última sexta-feira e revogue na integralidade os aumentos de impostos que passarão a vigorar no dia 1º de abril”, afirma o presidente da Apas.

Outras categorias

Os preços dos produtos industrializados fecharam 2020 com alta de 14,5%. O principal motivo está na elevação dos preços dos derivados do leite (15,6%), como, por exemplo, leite em pó (20,1%) e queijo muçarela (35,5%). De forma geral, os óleos também pressionaram os preços dos produtos industrializados com alta de 67,2%, o de soja, por exemplo, acumulou 115,6%. Outro item que também colaborou com o aumento foi o açúcar, tendo alta de 16,1%.

Os produtos in natura - que representam em média 10% do faturamento de um supermercado - subiram 5,61% em 2020. Os legumes tiveram alta de 24,7%, tendo o tomate (32,2%) e a cenoura (67,9%) puxado o índice. Nas frutas, a inflação foi maior, 26,2%, sendo que os vilões foram laranja (49,6%), banana (23,1%) e maçã (66,3%). O principal motivo apontado pela equipe econômica da Apas é o descompasso entre a oferta/produção destes itens e a elevação da demanda.

Entre as bebidas, as alcoólicas tiveram uma variação de 3,15%, reflexo da elevação no preço do vinho (4,77%) e alta do preço da cerveja (2,89%). Entre as não alcoólicas, a alta foi de 2,5%, sendo o refrigerante o item que mais inflacionado em 3,03%.

Os preços dos produtos de limpeza apresentaram alta em 2020 de 6,17%, impactados principalmente pela elevação nos preços do sabão em barra, com variação de 15,67%. Os artigos de higiene e beleza apontaram alta de 4,58%, impactados pela alta nos preços do sabonete (7,87%) e do creme dental (9,47%).

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