Economia Inflação oficial atinge maior patamar para setembro desde 2003

Inflação oficial atinge maior patamar para setembro desde 2003

Alimentos pressionaram o indicador no mês. Arroz e óleo de soja foram alguns dos itens que pesaram mais no bolso dos brasileiros no período

  • Economia | Giuliana Saringer, do R7

Arroz foi um dos vilões do bolso do consumidor

Arroz foi um dos vilões do bolso do consumidor

Pixabay

A inflação oficial, medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), registrou o maior patamar para setembro desde 2003, informou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta sexta-feira (9). O indicador ficou em 0,64% no mês. 

O grupo de alimentação e bebidas foi o principal responsável pelo resultado de setembro, principalmente por causa do aumento dos preços da comida para consumo em casa.

Em 2003, a inflação oficial ficou em 0,78%. De janeiro a setembro deste ano, o indicador acumula alta de 1,34% e de 3,14% nos últimos 12 meses.

Vilões do bolso

Os itens que pesaram mais no bolso dos brasileiros foram o óleo de soja (27,54%) e o arroz (17,98%), que acumulam no ano altas de 51,30% e 40,69%, respectivamente. 

O gerente da pesquisa, Pedro Kislanov, diz que a alta nos preços do arroz e do óleo está relacionada ao dólar alto e à maior demanda interna.

“O câmbio num patamar mais elevado estimula as exportações. Quando se exporta mais, reduz os produtos para o mercado doméstico e, com isso, temos uma alta nos preços. Outro fator é demanda interna elevada, que por conta dos programas de auxílio do governo, como o auxílio emergencial, tem ajudado a manter os preços num patamar elevado. No caso do grão de soja, temos ainda forte demanda da indústria de biodiesel”, afirma Kislanov. 

Outros itens - sempre presentes na mesa dos brasileiros - que ficaram mais caros foram o tomate (11,72%), o leite longa vida (6,01%) e as carnes (4,53%).

Em contrapartida, também tem notícia boa para quem faz mercado. A cebola ficou 11,8% mais barata, assim como a batata-inglesa, cujo preço recuou 6,3% em setembro. Também ficaram mais em conta o alho (-4,54%) e frutas (-1,59%).

O grupo saúde e cuidados pessoais também registrou queda nos preços em setembro, influenciado pela redução nos planos de saúde, já que, em agosto, a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) decidiu suspender o reajuste dos planos até dezembro deste ano.

Outras altas

A segunda maior variação no índice de setembro veio dos Artigos de Residência, cujos preços aumentaram 1% em média. Os itens de TV, som e informática subiram 1,99%, enquanto mobiliário aumentou 1,10% no mês passado. 

Os preços dos produtos e serviços do grupo Transportes subiram em ritmo menor em setembro, mas os principais impactos no bolso do brasileiro vieram do aumento da gasolina e das passagens aéreas (6,39%) -- esta, após quatro quedas mensais seguidas.

Metodologia da pesquisa

Por causa da pandemia, o IBGE está realizando a coleta de preços de forma remota, por meio de sites, telefone ou e-mail. 

O IPCA é se refere às famílias com rendimento monetário de um a 40 salários mínimos e abrange dez regiões metropolitanas, além dos municípios de Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís, Aracaju e Brasília.

Para o cálculo do índice do mês, foram comparados os preços coletados entre 28 de agosto e 28 de setembro de 2020 (referência) com os vigentes entre 29 de julho e 27 de agosto de 2020 (base).

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