Economia Light vende fatia de 17% na Renova Energia ao fundo CG I por R$1

Light vende fatia de 17% na Renova Energia ao fundo CG I por R$1

SÃO PAULO (Reuters) - A elétrica Light celebrou contrato para venda da totalidade de suas ações na Renova Energia , equivalentes a 17,17% do capital social da companhia, ao fundo de investimento CG I, por valor simbólico de 1 real, segundo comunicado da empresa nesta segunda-feira.

O CG, que já faz parte do bloco de controle da Renova, ainda se comprometeu a vender parte das ações objeto da operação, sujeita a condições precedentes, à Cemig GT, da Cemig , também acionista da Renova e da Light, caso a empresa mineira "exerça seu direito de preferência", afirmou a elétrica.

O anúncio acontece após o fracasso na semana passada de uma tentativa da Renova de vender seu parque eólico Alto Sertão III à AES Tietê, que disse na quinta-feira não ter chegado a um acordo para compra do ativo.

A Light disse no comunicado desta segunda-feira que a transação envolvendo as ações da Renova está "em linha com a estratégia de desinvestimento de ativos non-core" e sua intenção de focar na melhoria operacional de suas operações de distribuição.

A empresa ainda assinou termo pelo qual sua unidade de comercialização de energia Lightcom cedeu todos seus créditos em face da Renova ao fundo CG.

Segundo a Light, o fechamento da transação está sujeito a condições que incluem notificações ao BNDESPar, acionista da Renova, quanto ao direito de tag along total e direto, e à Cemig GT, quanto ao direito de preferência e de venda conjunta.

O fundo CG reúne participações em empresas dos fundadores da Renova, Ricardo Lopes Delneri e Renato do Amaral.

Criada em 2001, a Renova chegou a ser vista como uma das mais promissoras empresas de energia limpa do Brasil. Cemig e Light adquiram participações no bloco de controle da empresa de energia renovável em 2011.

Mas a Renova passou a sofrer dificuldades para implementar seu ambicioso portfólio de projetos após o fracasso em 2015 de uma associação com a norte-americana SunEdison. Desde então, a empresa vendeu ativos e entrou em longo processo de reestruturação.

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SAÍDA POSITIVA?

O movimento da Light de vender a fatia na Renova, mesmo por valor simbólico, foi visto como "marginalmente positivo" por analistas da corretora Guide Investimentos, que afirmaram esperar "reação positiva para os papéis".

As ações da Light operavam em queda de 0,43% por volta das 12:14 (horário de Brasília), enquanto as Units da Renova caíam 5%.

Analistas do BTG Pactual escreveram na sexta-feira que o fracasso na venda de Alto Sertão III provavelmente obrigaria Cemig e Light a socorrer o projeto da Renova na falta de outros interessados.

O parque eólico foi paralisado com cerca de 90% das obras concluídas e tem empréstimo pendente e à beira do vencimento de cerca de 960 milhões de reais junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O acordo prévio da AES Tietê por Alto Sertão III, parado desde 2016, previa pagamentos de até 350 milhões de reais pelo projeto na Bahia e a assunção de dívida financeira de 988 milhões de reais do empreendimento.

A Renova também já havia anteriormente chegado a tentar vender o complexo eólico à canadense Brookfield, com quem também manteve tratativas sobre uma associação, mas os negócios não foram fechados.

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(Por Luciano Costa; reportagem adicional de Gabriela Mello)