Economia Lucro do trabalho escravo é maior do que o PIB de 128 países

Lucro do trabalho escravo é maior do que o PIB de 128 países

O ganho é de US$ 150 bilhões por ano, segundo estudo da OIT

  • Economia | Do R7, com informações da Agência Brasil

Trabalho escravo está presente na exploração sexual, trabalho doméstico, agricultura, construção, manufatura, minério e nos serviços, segundo estudo da OIT

Trabalho escravo está presente na exploração sexual, trabalho doméstico, agricultura, construção, manufatura, minério e nos serviços, segundo estudo da OIT

Ministério Público do Trabalho/divulgação

O lucro gerado pelo trabalho escravo no mundo é de US$ 150 bilhões por ano (cerca de R$ 330,9 bilhões), segundo o relatório Estimativas Econômicas Globais do Trabalho Forçado da OIT (Organização Internacional do Trabalho) divulgado nesta terça-feira (20). O valor chega a ser maior do que o PIB (Produto Interno Bruto) — a soma de tudo o que é produzido por um país — de 128 nações em 2012.

É o caso de Porto Rico (R$ 101,4 bilhões), Equador (R$ 84,03 bilhões) e Paraguai (R$ 25,5 bilhões), que registraram um PIB abaixo dos ganhos gerado pelo trabalho escravo no mundo. 

Os dados mais recentes da organização apontam que há dois anos o total de vítimas chegava a 21 milhões, sendo 55% delas mulheres e crianças. Fazem parte da estatística: pessoas que estavam buscando empregos melhores, mas acabaram sendo enganadas; ganham menos do que deveriam; e trabalham em regime de escravidão.

O levantamento aponta ainda que a falta de educação e o analfabetismo são fatores que contribuem para a vulnerabilidade destes trabalhadores. Isso porque o baixo nível educacional reduz as oportunidades de emprego para as pessoas que, muitas vezes, são obrigadas a aceitar qualquer trabalho.

Por região

Em nível mundial, a Ásia e o Pacífico são locais com maior número de trabalhadores em regime de escravidão, 12 milhões — o que corresponde a 56% do total. Consequentemente, os "escravos" dessa região são os que mais rendem, com US$ 51,8 bilhões (cerca de R$ 114,2 bilhões). Confira no gráfico abaixo as outras regiões.

Quando se leva em consideração o lucro gerado por cada vítima do trabalho forçado, as economias desenvolvidas, o que inclui Estados Unidos, União Europeia e Japão, por exemplo, saem na frente e apresentam lucro per capita de US$ 34,8 mil por ano (cerca de R$ 76,7 mil).

Segundo a autoridade da OIT responsável pelo estudo, Michaëlle de Cock, essa é a primeira vez que uma agência analisa esses dados sobre trabalho forçado sob uma perspectiva econômica.

O levantamento mostra que o trabalho escravo está presente na exploração sexual, trabalho doméstico, agricultura, construção, manufatura, minério e serviços.

A exploração sexual foi a que rendeu mais lucro: US$ 99 bilhões por ano (cerca de R$ 218,39 bilhões). Já os ganhos do trabalho forçado na agricultura, silvicultura e pesca foram de US$ 9 bilhões (cerca de R$ 19,8 bilhões); em construção, indústria, minério e serviços chegaram a US$ 34 bilhões; e nos trabalhos domésticos, US$ 8 bilhões (cerca de R$ 17,65 bilhões).

A exploração em diversas atividades é um retrato traçado pela OIT. O estudo aponta ainda que os trabalhadores domésticos nesta situação recebem apenas 40% do salário necessário.

As más condições também são frequentes no setor industrial. De acordo com a organização, são vagas que atraem trabalhadores pouco ou não qualificados.

Além dos traumas causados nas inúmeras vítimas, a OIT aponta que esse tipo de crime prejudica o governo e a sociedade, pois nos lucros não há recolhimento de impostos. O trabalho escravo também cria um ambiente de competência injusta e desfavorável para as empresas que respeitam a lei e compromete a imagem da indústria.

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Mulheres x homens

Apesar de as mulheres serem maioria (55%), o levantamento apontou que os homens, principalmente quando são chefes de famílias, correm um risco maior de se tornarem vítimas do trabalho escravo.

Nesta situação, são eles que pedem dinheiro aos credores e oferecem a força braçal em troca, e, em muitos casos, até mesmo a de toda a família.

Porém, a OIT ressalta que a questão do gênero está ligada ao país onde a pessoa vive e até mesmo onde desempenhará a função, pois as mulheres solteiras e chefes de famílias correrão o mesmo risco.

Imigração

O levantamento também mostra que 44% de todas as vítimas são imigrantes. Quanto mais irregular for a situação do estrangeiro no país, maior sua vulnerabilidade ao trabalho escravo.

O estudo cita, por exemplo, que muitos imigrantes na Europa Oriental, precisavam de dinheiro para pagar as tarifas de contratação e acabavam se submetendo às más condições de trabalho.

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Todo este problema deve ser combatido com um sistema eficiente de identificação de vítimas e sanções penais mais rápidas a quem pratica o crime, segundo a OIT. O acesso à educação e à formação profissional é debatido no estudo como uma das formas de prevenção ao trabalho escravo.

No Brasil, o Código Penal considera trabalho análogo ao escravo àquele que submete a pessoa a atividades forçadas ou jornada exaustiva, sujeitando-a a condições degradantes, com restrição de locomoção por razões físicas ou por dívida, mantendo vigilância ostensiva no local de trabalho ou tendo documentos ou objetos pessoais apropriados pelo empregador, com o objetivo de reter a pessoa em situação de exploração.   Tramitam, no Congresso Nacional, projetos para enfrentar a situação, como o projeto de lei que aumenta a pena e a multa ao empregador e a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que prevê a expropriação da terra onde for constatado o uso de mão de obra escrava. 

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