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Economia Médico, programador, pedreiro: veja as profissões em alta neste ano

Médico, programador, pedreiro: veja as profissões em alta neste ano

Pandemia em 2020 levou um mar de gente ao desemprego, mas aqueceu áreas específicas, que tendem a se consolidar 

  • Economia | Ulisses de Oliveira, do R7

Resumindo a Notícia

  • Pandemia criou "ilhas" de cargos e profissões que cresceram em 2020
  • Rumos do mercado de trabalho tendem a fazer setores se consolidarem
  • Áreas como de tecnologia, saúde, infraestrutura e e-commerce estão em alta
  • Modelo de trabalho temporário cresceu e home-office veio para ficar, dizem consultorias
Busca por fisioterapeutas hospitalares explodiu em 2020

Busca por fisioterapeutas hospitalares explodiu em 2020

Freepik

Gerentes de mídias sociais, atendentes de comércio eletrônico, cientistas de dados, desenvolvedores de softwares, fisioterapeutas, médicos intensivistas, enfermeiros de UTIs, supervisores de SAC, analistas de SAC, azulejistas, vendedores de e-commerce, operadores de call center, encanadores, azulejistas e pedreiros. Esses são alguns dos cargos e profissões promissores para este começo de 2021. Outros tiveram um boom no ano passado e tendem a se consolidar, avaliam empresas de recrutamento e consultorias ouvidas pelo R7.

A tragédia da pandemia de covid-19 deixou marcas profundas na economia brasileira, com mais de 14 milhões de desempregados e uma avalanche de trabalhadores acabaram empurrados para a informalidade.

Porém, a dinâmica da doença fez com que novas demandas surgissem, mudasse o estilo de consumo da população e, consequentemente, impactasse o mercado de trabalho.

Uma das líderes no setor de recrutamento on-line, a Catho avalia que profissões como fisioterapeuta hospitalar e respiratório se tornaram protagonistas da luta contra a covid-19 e a abertura de vagas para essas posições subiu 725% e 716%, respectivamente, em sua plataforma, que reúne mais de sete milhões de currículos cadastrados.

Conforme a consultoria, a explosão na procura por profissionais ligados à saúde é autoexplicativa numa pandemia. E a busca por eles deve seguir acentuada até que a covid-19 esteja de fato controlada ou que chegue ao fim. 

"A retomada que já ocorre nos setores da indústria e comércio certamente abrirá novas oportunidades em 2021. No entanto, o que podemos ver é que as demandas ocasionadas pela pandemia, que ainda é latente, devem continuar alavancando algumas áreas como saúde, e-commerce, marketing digital e tecnologia", explica a diretora de Gente e Gestão da Catho, Patricia Suzuki.

O mercado de seguros também está em evidência pela necessidade de as seguradoras se diferenciarem e buscarem novas ofertas, sempre em linha com as demandas das empresas e consumidores finai, avalia a líder no setor de recrutamento especializado, Robert Half. Analista e especialista de produtos; analista, especialista e gerente atuarial; analista de precificação; profissionais ligado a finanças são alguns dos cargos com grande demanda.

Cargos na construção civil, como pedreiros e azulejistas também estão em alta na pandemia

Cargos na construção civil, como pedreiros e azulejistas também estão em alta na pandemia

27/11/2020. REUTERS/Pilar Olivares

Os setores do agronegócio, infraestrutura e logística para e-commerce também estiveram em alta em 2020 e devem se consolidar neste ano.

Para o diretor de Recrutamento da Robert Half, Lucas Nogueira, o aumento da taxa de desemprego, especialmente no último trimestre, envolveu a diminuição e o término do auxílio emergencial para a população em geral que busca emprego. Mas para quem possui qualificação, a realidade é outra.

"O nosso 'índice de desemprego Robert Half', em que buscamos o recorte dentro de uma população específica, com até 25 anos e ensino superior completo, a taxa está em torno de 6%. Ou seja, é uma tendência que a qualificação seja cada vez mais demandada. Este é um ponto que já era mandatório antes da pandemia e que foi acelerado", analisa o executivo da líder do setor de recrutamente especializado.

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E a busca por capacitação tem sido, mesmo, uma das prioridades dos profissionais. "Segundo levantamento realizado pela Catho com mais de 7 mil pessoas, 45% dos respondentes disseram estar buscando cursos de qualificação durante a pandemia. Portanto, este pode ser o momento para se qualificar e aumentar o leque de oportunidades profissionais", afirma Patrícia Suzuki.

Exército de desempregados

A taxa de desemprego oficial chegou a 14,2%, atingindo 14 milhões de brasileiros em outubro, segundo dados mais recentes da Pnad Covid (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Covid), divulgada em novembro pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). É o maior valor absoluto desde o início da série, com um aumento de 2% frente ao mês anterior e de 38,6%, desde o início da pesquisa (maio).

Home office e tecnologia

Na esteira deste novo normal, o home office impulsionou a demanda por profissionais que atuam em diversos setores, especialmente o de tecnologia.

"O trabalho remoto gerou uma grande mudança de paradigma nas empresas e permite que elas acessem um pool maior de candidatos a nível nacional. Com o aumento expressivo da demanda por profissionais na área de tecnologia, a oferta de vagas remotas passa a ser estratégica", avalia o CEO e fundador da startup GeekHunter, Tomás Ferrari.

Conforme pesquisa da plataforma de emprego, que reúne 7,6 mil empresas e 130 mil profissionais cadastrados, para este ano, 85% da abertura de vagas em tecnologia serão flexíveis, ou seja, trabalho remoto e presencial.

Desenvolvedores de softwares são disputados por empresas de tecnologia

Desenvolvedores de softwares são disputados por empresas de tecnologia

Pexels

Mesmo com uma possível mudança no cenário, incluindo a retomada do trabalho presencial pós-pandemia, as vagas em tecnologia deverão se manter em um patamar mínimo de 60% com profissionais remotos, diz o estudo da GeekHunter.

Já uma pesquisa da Robert Half aponta que no ano passado, antes da pandemia, apenas 35% dos profissionais faziam home-office. Depois de março, 95% tiveram a possibilidade de adotá-lo.

Na opinião de 80% dos profissionais empregados e de 77% dos desempregados, atuar a distância passaria a ser um modo de trabalho, e não mais um benefício. Outros 11% dos entrevistados empregados disseram que não aceitariam uma proposta que não oferecesse home office de maneira parcial ou integral.

Por outro lado, aponta o estudo da Robert Half, entre os profissionais desempregados, a condição caiu para 3%. 

E-commerce

Outra marca deixada pelo novo coronavírus, o isolamento social carregou em 2020 novos hábitos, o que empurrou a abertura de vagas nos setores de comércio eletrônico (e-commerce), redes sociais e atendimento ao cliente.

Na análise da Catho, o nicho tem se destacado cada vez mais nos últimos meses por ter se tornado a única maneira de permanecer comprando e vendendo em meio à pandemia do novo coronavírus e consequente necessidade de distanciamento.

A tendência é que, mesmo após a pandemia, a demanda siga alta.

As principais atribuições deste profissional são atender clientes da loja virtual por telefone, chat ou e-mail para auxílio na finalização de pedidos ou em dúvidas gerais, além de cadastrar produtos no site e participar na elaboração de estratégias comerciais.

Trabalhadores temporários

A Asserttem (Associação Brasileira do Trabalho Temporário) divulgou recentemente o balanço de contratações temporárias no ano passado. A pandemia fez disparar o número de vagas.

Foram pouco mais de 2 milhões de contratações neste modelo, o que representa uma alta de 34,8% em relação a 2019, quando foram geradas quase 1,5 milhão de vagas.

Para o diretor de Recrutamento da Robert Half, Lucas Nogueira, as empresas optaram por este tipo de modalidade devido às incertezas trazidas pela covid-19, como duração das medidas de isolamento social, dificuldade de planejamento e insegurança econômica.

Mas uma marca mais específica deste modelo – comum em períodos de alta demanda no comércio, como Páscoa, festas de fim de ano, dias das Mães, dos Pais e das Crianças – na pandemia foram as contratações temporárias para posições especializadas.

"Contadores, analistas financeiros, coordenadores de marketing, analistas de logística, entre outros. As empresas perceberam que existem projetos com começo, meio e fim em que profissionais mais especializados podem ser contratados", afirma Lucas Nogueira, da Robert Half.

Patricia Suzuki, diretora de Gente e Gestão da Catho da Catho, concorda que o número de vagas temporárias para 2021 deve seguir em alta ao longo do ano, porém, a forma tradicional continuará a prevalecer. "O modelo CLT continua sendo o mais usado por contratantes. Na Catho, por exemplo, as vagas ofertadas pelas empresas são majoritariamente CLT", diz.

O contrato temporário tem duração de até seis meses, podendo ser estendido por mais 90 dias. O funcionário possui boa parte dos direitos de um empregado efetivo, mas não tem aviso prévio nem recebe a multa de 40% sobre o valor do fundo de garantia (FGTS), caso seja mandado embora sem justa causa.

Abertura de vagas durante a pandemia - 2019 x 2020 (%)*

Fisioterapeuta Hospitalar - 725%
Fisiotarapeuta Respiratório - 716%
Médico Intensivista - 356%
Enfermeiro de UTI - 227%
Supervisor de SAC - 214%
Web Developer - 182%
Auxiliar de Enfermagem - 176%
Analista de SAC - 158%
Produtor de conteúdo - 126%
Azulejista - 122%
Vendedor de e-commerce - 118%
Repositor - 117%
Operador de Call Center - 100%
Programador ADVPL - 85%
Gerente de e-commerce - 78%
Analista de mídias sociais - 51%
Encanador - 46%
Atendente de delivery - 42%
Projetista de móveis - 27%
Pedreiro - 26%
Programador back-end - 18%

*Fonte: Catho

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