Economia Mercado da beleza se torna opção de empreendimento na crise

Mercado da beleza se torna opção de empreendimento na crise

Mesmo com a crise, os salões e barbearias crescem em todo o país como uma alternativa ao desemprego. Aposta em nichos é uma tendência

O setor de beleza é uma oportunidade de trabalho

Arte/R7

A nutricionista Dayane De Almeida Serrato, 29 anos, perdeu o emprego em 2015. Após um longo ano procurando por novas oportunidades, ela decidiu abrir um negócio próprio. Fez um curso para ser cabeleireira e começou a atender nos fundos da casa da sogra. O negócio cresceu e hoje Dayane tem seu ateliê de beleza em Santo André, na grande São Paulo. No fim do mês, garante ela, ganha mais do que a vida de assalariada.

Para fugir do desemprego muitas pessoas, como Dayane, investem em salões de beleza e barbearias, que se tornaram um verdadeiro fenômeno no país. “Esse é o setor campeão de abertura do MEI (microempreendedor individual), a entrada é fácil e acessível, muitas pessoas trabalham em casa”, explica o consultor do Sebrae Reginaldo de Andrade.  “Mas o número de negócios que fecham também é alto, não há espaço no mercado para aventureiros”.

A crise que atingiu o país nos últimos anos também refletiu no setor. De acordo com Andrade, muitos clientes diminuíram as visitas aos salões. “As pessoas não deixaram de consumir, mas houve uma redução na frequência e paralelamente um aumento do custo de água e luz que não puderam ser repassados integralmente para o consumidor”, avalia Andrade.

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Quem não fez um planejamento financeiro sério sentiu o impacto da crise. Ao mesmo tempo, de acordo com pesquisa encomendada pela Beauty Fair, um dos mais importantes eventos do setor, realizada pelo Euromonitor, o Brasil os salões considerados de perfil D, para um público com menor poder aquisitivo, foi dos que mais cresceu, 5,1%. Com o desemprego nas alturas, abrir um estabelecimento significa buscar uma oportunidade em tempos de crise.

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Ainda de acordo com a pesquisa, o Brasil conta com 500 mil salões formais e a perspectiva é de um crescimento de 4,5% até 2021. Desses salões, 83% estão focados no público feminino. Os dados também mostram que 48% são estabelecimentos informais.
Na região Sudeste, há cerca de 276 mil salões (56%) ou 625 estabelecimentos para cada 100 mil mulheres. Nas regiões Norte e Nordeste, há 264 salões para cada 100 mil mulheres (um total de 100 mil salões). A oportunidade de investimentos no setor está exatamente nessas duas regiões.

Filha de um cozinheiro e empregada doméstica, Dayane realizou o sonho dos pais. “Meus pais queriam que eu cursasse uma faculdade, comecei a trabalhar em uma empresa de alimentos como jovem aprendiz, resolvi cursar nutrição, mas sempre gostei da área de beleza”, conta. “Com apoio do meu marido decidi arriscar e montar o meu negócio com foco em penteados e maquiagem para noivas e eventos, não criei um salão, mas um ateliê focado em um público específico”.

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Os nichos de mercado tem sido a aposta para conseguir crescer no setor. “Vemos um número muito grande de barbearias, o que parecia uma onda se consolidou. Temos observado que o setor tem segmentado os serviços como foco nos adolescentes e idosos – com atendimento em casa ou em parceria com taxistas para levar as pessoas com dificuldade de locomoção ao salão”, observa Andrade. Para ele, esta é uma tendência que deve crescer nos próximos anos.

Franquias

Segundo a Associação Brasileira de Franchising (ABF), o faturamento do setor de saúde, beleza e bem-estar cresceu 12,4% em 2017, mais de R$ 30 bilhões no ano. Vale destacar o aumento de franquias entre R$ 100 mil e R$ 200 mil.

“Com a crise, o investidor mudou o comportamento, por não ter tantos recursos por conta do impacto da crise, está apostando em franquias com custo mais baixo”, diz o gerente de marketing do Instituto Embelleze Eduardo Costa. “Também observamos que muitas pessoas buscam cursos mais baratos, como design de sobrancelhas ou barbearia, vendo o resultado financeiro, investem em novos cursos”. 

O setor de beleza aposta em resultados melhores até o fim do ano. “É uma fase de festas e eventos, a expectativa é que seja melhor do que o meio do ano, quando tivemos Copa. Não será um aumento tão significativo, mas deve ter um crescimento”, diz Costa.

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