Economia Mutirão do emprego: 6 mil pessoas enfrentam calor e fila atrás de vaga

Mutirão do emprego: 6 mil pessoas enfrentam calor e fila atrás de vaga

Quatro pessoas passaram mal e precisaram ser socorridas pelo Corpo de Bombeiro.  Processo seletivo continua na quarta e quinta-feiras

Calor excessivo e grandes filas marcaram a espera de candidatos no mutirão

Calor excessivo e grandes filas marcaram a espera de candidatos no mutirão

Edu Garcia/R7

Seis mil pessoas enfrentaram o sol quente desta terça-feira (17), na região central de São Paulo, a procura de uma vaga no mutirão do emprego.

Com os termômetros registrando a média de 30 graus, quatro pessoas desmaiaram com queda de pressão e precisaram ser atendidas pelo Corpo de Bombeiro.

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Um caminhão da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) ficou parado em frente ao Sindicato dos Comerciários, onde estava sendo realizado o processo seletivo, para distribuir água para a multidão.

Muitos candidatos chegaram durante a madrugada para conseguir uma das 1.500 senhas que foram distribuídas.

O mutirão do emprego continuará nesta quarta e quinta somente para o trabalhador que conseguir uma senha. 

Nesta terça-feira, foram distribuídas 1500 senhas para o atendimento de trabalhadores ao longo do dia.

Também foi iniciada a distribuição das 1500 senhas para o processo seletivo de amanhã. Na quarta, serão concedidas as mil senhas restantes para a seleção de quinta-feira.

Os candidatos estavam atrás de uma das 4 mil vagas oferecidas por 42 empresas no mutirão do emprego, promovido pela UGT (União Geral dos Trabalhadores), Sindicatos dos Comerciários e dos Padeiros.

Entre as companhias: Magazine Luiza, Pão de Açúcar, Assaí Atacadista, Atento Brasil, Sondas e Dia.

Para Ricardo Patah, presidente da UGT (União Geral dos Trabalhadores), o mutirão não vai resolver o problema de inclusão social e de desemprego do Brasil, mas traz esperança e ajuda o trabalhador a enfrentar o momento difícil que está passando.

"Precisamos de mais políticas públicas para incentivar o emprego no país."

Para amenizar um pouco o calor e o desgaste dos candidatos, as entidades sindicais também serviram sanduíche e davam água para todos que circulavam dentro do prédio.

O Grupo Pão de Açúcar distribuiu garrafas de água e pacotes de cookies para os candidatos que chegavam ao primeiro andar para se inscrever em uma das 210 vagas de operador de caixa.

Stefani tem experiência como operadora de caixa, mas nunca foi registrada

Stefani tem experiência como operadora de caixa, mas nunca foi registrada

Edu Garcia/R7

Stefani Aparecida Gomes da Silva, 20, estava entre eles. Há nove meses desempregada, a operadora de caixa ficou animada por passar no teste que a levou para a segunda fase do processo seletivo: entrevista com o gestor no dia seguinte.

“No meu caso, apesar de eu ser experiente na área, não tenho registro na carteira que comprova. A empresa anterior me registrou como atendente e não são todas as companhias que aceitam isso. ”

Alta exigência de qualificação assusta candidatos

A operadora de caixa Thabata Melo, 26, e atendente Jéssica Cristina Marques Mota, 21, são amigas de infância e estão procurando emprego juntas há um ano.

Ambas ressaltam que o grau de exigência por qualificação ou experiência solicitado pelas empresas vem aumentando muito.

As amigas Jéssica (à esq.) e Thabata estão há um ano procurando emprego

As amigas Jéssica (à esq.) e Thabata estão há um ano procurando emprego

Edu Garcia/R7

“Tenho segundo grau, experiência na área e mesmo assim as minhas qualificações não foram suficientes para muitas empresas. Ao fazer cadastro para algumas vagas, cheguei a receber devolutivas cinco vezes de que meu currículo não era compatível. Acho que as empresas estão muito exigentes”, diz Thabata.

A operadora de caixa disse que chegou a se candidatar para vagas de auxiliar de limpeza, na tentativa de se recolocar no mercado de trabalho.

“Mesmo um serviço simples, que praticamente todo mundo sabe desempenhar, afinal, todos sabemos limpar de alguma maneira, a exigência por qualificação existe”, comenta Thabata.

Para Jéssica, o mais triste na procura por emprego é se deparar com “empresas picaretas que querem empurrar cursos de qualificação”.

“Estamos desempregadas! Não temos dinheiro para pagar cursos e existem empresas que se aproveitam disso. ”