Novo Coronavírus

Economia Natal da pandemia terá Papai Noel virtual em 43% dos shoppings 

Natal da pandemia terá Papai Noel virtual em 43% dos shoppings 

Segundo levantamento feito pela Associação Brasileira de Shoppings, alguns lugares já anunciaram o bom velhinho em 3D e até por touch screen

  • Economia | Pietro Otsuka, do R7

Shoppings terão a presença do bom velhinho de forma virtual

Shoppings terão a presença do bom velhinho de forma virtual

Reprodução

O Papai Noel não poderia ficar de fora do Natal, mas neste ano as coisas serão um pouco diferentes. De acordo com levantamento da Abrasce (Associação Brasileira de Shoppings Centers), 43% dos shoppings centers terão a presença do bom velhinho de forma virtual, por conta da pandemia do novo coronavírus. No entanto, os estabelecimentos terão de seguir o protocolo estabelecido pela associação, em conjunto com a área de consultoria do Hospital Sírio-Libanês.

Leia mais: CoronaVac: presidente da Anvisa nega interferência política

Para o presindente da Abrasce, Glauco Humaio, o momento é de reforçar a confiança do consumidor e recebê-lo com segurança, "evitando o fluxo intenso de pessoas". "Alguns empreendimentos já anunciaram o Papai Noel em 3D, videoconferência e até por tela touch screen", afirma. 

A pesquisa também revela que cerca de 24% dos shoppings ainda avaliam qual a melhor estratégia a ser implementada e outros 19% não pretendem contar com o bom velhinho. "Os shoppings têm liberdade para adotar a estratégia que acharem mais viável, respeitando as diretrizes do protocolo", diz Humai.

Veja também: "Não haverá populismo para ampliar o Bolsa Família", diz Guedes

Mas, como ficam os Papais Noéis nessa situação? Segundo Miguel, que trabalha na Cia. do Noel, o setor em que a empresa atua sofreu uma queda muito grande na procura dos profissionais. "A maioria dos shoppings está meio receosa, até com o próprio funcionamento da coisa, porque o Papai Noel é um evento que chama as pessoas, que gera aglomeração. Nós tivemos uma baixa de uns 80% na demanda", afirma. 

Além dos shoppings, as agências de Papel Noel também foram afetadas por diversas outras áreas em que atuam, como hospitais, escolas e empresas. "Está sendo muito difícil mesmo, porque vários nichos em que a gente atua, neste ano não será possível, por motivos variados. Os shoppings ficaram com medo de gerar aglomeração, as empresas, muito funcionários estão em home office e também não vai haver festa de confraternização", explica. 

"A gente também trabalha com escolas, que não abriram este ano, então não vão ter visitas, assim como as creches. Hospital não tem nem como por causa da pandemia, e casa de idosos sem chance também, porque todos ali são de grupo de risco", complementa. 

No entanto, uma alternativa encontrada para contornar o fator pandemia foi usar de outros recursos, como vídeos e lives. "Nesses nichos, o que mais está sendo procurado é vídeo gravado, vídeo chamada, lives, mensagens nas redes sociais. Mas, fora isso, não temos nenhuma procura maior nesse setor", diz Miguel. 

Além da falta de procura, Miguel também revela que houve uma queda de 30% a 40% no número de profissionais que trabalham na agência neste período de fim de ano. "Por conta da pandemia eles não querem fazer, estão com medo. Por serem senhores, acima de 60 anos, e porque a relação do Papai Noel é uma relação direta com as pessoas, uma atividade que requer interação", afirma. 

"Então, mesmo com distanciamento e respeitando todos os protocolos estabelecidos pelos órgãos de saúde, os profissionais estão meio receosos e optaram por não trabalhar. Eles preferiram aguardar a vacina ou deixar para o ano que vem"

Miguel, da Cia. do Noel

Apesar da pandemia, Bianco vai trabalhar neste Natal

Apesar da pandemia, Bianco vai trabalhar neste Natal

Divulgação/Arquivo pessoal

No entanto, esse não é o caso de Noel Bianco, de 67 anos. Neste Natal, mesmo com a pandemia, ele, que ainda pertence ao grupo de risco, decidiu continuar trabalhando. "Todo gordinho tem um pouco de pressão alta, é diabético, então eu estou sim no grupo de risco. Mas vou trabalhar neste ano", afirma.

Bianco diz que só não irá trabalhar com os shoppings que costumava trabalhar em anos anteriores, mas fará visitas em residências e, se possível, eventos em empresas também. "Seguindo todo o protocolo: máscara, luvas, álcool em gel, afastamento, e por aí vai."

Medidas de segurança

Além de Bianco, outros profissionais que optarem por trabalhar este ano terão que seguir diversas medidas de segurança e restrição. É o que afirma Miguel, da Cia. do Noel. "Como todos os outros setores que estão reabrindo, vai ser muito diferente este ano. O Papai Noel não vai poder abraçar, vai usar máscara o tempo todo, vai trocar as luvas a cada cliente visitado e usar álcool em gel o tempo todo. Além disso vamos fazer a desinfecção do figurino antes e após o evento", diz. 

"Vai ser tudo previamente combinado com o contratante, inclusive as fotos com o Papai Noel. O trono será higienizado, na hora da fotografia haverá um distanciamento de um metro e meio a dois metros"

Miguel, da Cia. do Noel

Apesar da mudança que considera drástica, Bianco afirma que isso não afetará tanto seu bolso, pois, além de trabalhar como Papai Noel, ele é taxista e ganha aposentadoria. 

"Claro que afetou financeiramente, mas isso para mim, graças a Deus, não me afeta tanto. Eu trabalho como taxista e também sou aposentado, então dá para segurar a onda", afirma. 

"Não vai deixar de ter Natal"

Apesar de tudo, para Miguel, por conta do que aconteceu em 2020, não pode deixar de haver a festa natalina. "Tudo será diferente, mas não vai deixar de ter Natal. As pessoas precisam disso, elas estão meio carentes de algum convívio social, né?", completa.

É Natal em novembro! Fãs ansioso já estão montando suas árvores

Últimas