Economia Número de trabalhadores informais chega a 39,3 milhões, maior nível desde 2016

Número de trabalhadores informais chega a 39,3 milhões, maior nível desde 2016

Número de trabalhadores por conta própria, somados formais e informais, foi estimado em 25,7 milhões, mostra IBGE

  • Economia | Do R7

Taxa de informalidade foi de 40% no trimestre encerrado em junho

Taxa de informalidade foi de 40% no trimestre encerrado em junho

Edu Garcia/R7 - 15.02.2022

O número de trabalhadores informais foi estimado em 39,3 milhões ao fim do primeiro semestre de 2022. Trata-se do maior contingente desde 2016, ano que marca o início da série histórica do indicador, de acordo com dados divulgados nesta sexta-feira (29) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Na comparação com o trimestre anterior, houve um crescimento de 2,8%, o que representa mais 1,1 milhão de pessoas. Fazem parte dessa população os trabalhadores sem carteira assinada, empreendedores por conta própria sem CNPJ, além de trabalhadores familiares auxiliares.

Para Adriana Beringuy, coordenadora da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), houve a retomada do crescimento do número de trabalhadores por conta própria sem CNPJ, que havia caído no primeiro trimestre. 

Além disso, "outras categorias principais da informalidade, que são os empregados sem carteira no setor privado e os trabalhadores domésticos sem carteira, continuaram aumentando”, analisa ela ao citar que a taxa de informalidade foi de 40% no trimestre encerrado em junho. O crescimento no número de informais é relacionado a algumas atividades do setor de serviços, bastante impactado pelas medidas de isolamento social durante a pandemia.

“Podemos observar que parte importante dos serviços, como os serviços pessoais prestados às famílias, tem grande participação de trabalhadores informais e está influenciando essa reação da ocupação. Isso também tem ocorrido na construção, setor com parcela significativa de informais. Então, a informalidade tem um papel importante no crescimento da ocupação”, explica Adriana.

O levantamento mostra ainda que o número de trabalhadores por conta própria, somados formais e informais, foi estimado em 25,7 milhões, também o maior contingente para um trimestre encerrado em junho desde 2012, ano que marca o início da série histórica da Pnad. Houve crescimento de 1,7% (431 mil pessoas) na comparação com o trimestre anterior e de 4,3% (1,1 milhão) em relação ao mesmo período do ano passado.

Já entre os empregados sem carteira assinada no setor privado, o aumento chegou a 6,8% (ou mais 827 mil pessoas) ante o último trimestre. Com isso, o contingente também foi o maior da série, ao ser estimado em 13 milhões de pessoas. O número de trabalhadores domésticos sem carteira cresceu 4,3% no período, o equivalente a 180 mil pessoas. Com a alta, essa categoria passou a ser formada por 4,4 milhões de trabalhadores.

No caso do mercado de trabalho formal, o maior crescimento em termos absolutos foi dos empregados com carteira assinada no setor privado. Essa categoria subiu 2,6% no trimestre, um acréscimo de 908 mil pessoas. No ano, o aumento foi de 3,7 milhões de trabalhadores (11,5%). Por outro lado, o número de empregadores com CNPJ ficou estável em relação ao último trimestre e subiu 12,7% na comparação anual. Dos 4,2 milhões de empregadores, 3,4 milhões (81%) são formais.

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