Pandemia da pobreza

Economia Pandemia derruba renda média do trabalhador brasileiro a R$ 995

Pandemia derruba renda média do trabalhador brasileiro a R$ 995

Remuneração média recebida pelos profissionais caiu 11,3% e figura 9,5% abaixo do salário mínimo, indica estudo da FGV Social

Queda da renda foi quase duas vezes maior entre os mais pobres

Queda da renda foi quase duas vezes maior entre os mais pobres

Marcello Casal JrAgência Brasil - 13.10.2020

A renda média recebida pelos trabalhadores no Brasil foi fortemente impactada pela pandemia do novo coronavírus, desabou 11,3% em um ano e agora figura em R$ 995, menor valor da série história da FGV Social, iniciada em 2012.

O dado, divulgado pela pesquisa Bem-Estar Trabalhista, Felicidade e Pandemia, aponta que a remuneração média recebida no Brasil nos primeiros três meses de 2021 figura quase 10% (R$ 105) abaixo do salário mínimo de R$ 1.100 pago neste ano aos profissionais.

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"O Brasil começou 2020 com o maior nível da série, R$ 1.122, e, durante a pandemia, partimos para o menor nível, o que denota o grau de força dessa recessão", analisa Marcelo Neri, coordenador do estudo.

Enquanto a média das rendas individuais do trabalho na população caiu 10,89% ao longo da pandemia, a queda de renda da metade mais pobre dos brasileiros foi quase duas vezes maior, de 20.81%.

Com as movimentações, o estudo mostra que a pandemia elevou o índice de Gini trabalhista a 0.674 no primeiro trimestre de 2021, o que representa um “grande salto de desigualdade” no mercado de trabalho. 

Desenvolvido pelo matemático italiano Conrado Gini, o índice mede distribuição, concentração e desigualdade econômica em determinado grupo. O indicador varia de 0 (perfeita igualdade) a 1 (máxima concentração e desigualdade).

Felicidade

Felicidade do brasileiro caiu quase 20% na pandemia

Felicidade do brasileiro caiu quase 20% na pandemia

Bruno Kelly/Reuters - 17.01.2021

Como consequência da piora do mercado de trabalho, o estudo da FGV Social mostra que o bem-estar também caiu no território nacional.

De acordo com Neri, o ganho de renda não resultou no aumento da felicidade nos anos que antecederam a pandemia, que derrubou o índice em quase 20%.

O coordenador explica que o estudo, desenvolvido a partir da percepção da satisfação presente com a vida, colocou o Brasil com a terceira maior queda de felicidade entre quase 140 países de 2014 a 2018. 

"Na pandemia, tivemos uma regressão pela metade e anota do Brasil é 6,1. Era 6,5 antes da pandemia e, de 7,2 em 2014", lamenta Neri, que completa: "Podemos dizer que a perda de postos de trabalho gerou essa perda de bem-estar objetivo, que anda junto com as medidas de felicidade."

Conforme o levantamento, a queda da felicidade se dá nos 40% mais pobres (-0,8%) e no grupo do meio (-0.2) situados entre 40% a 60% da renda. Já os grupos mais ricos mantiveram a satisfação com a vida. "A diferença de satisfação com a vida entre os extremos de renda, que era de 7,9% em 2019, subiu para 25,5%", destaca o estudo.

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