Pandemia faz produção industrial ter pior março desde 2002

Setor encolheu 9,1% no período em comparação com fevereiro deste ano e acumula queda de 1,7% em 2020

Isolamento social afetou produção industrial

Isolamento social afetou produção industrial

Fabian Bimmer/ Reuters - 01.03.2019

A pandemia do novo coronavírus provocou o pior resultado para o mês de março da produção industrial brasileira desde 2002, segundo a PIM (Pesquisa Industrial Mensal), divulgada nesta terça-feira (5) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). 

Houve queda de 9,1% na produção em comparação ao resultado de fevereiro deste ano.

O gerente da pesquisa, André Macedo, disse que o isolamento social fez com que diversos setores fossem paralisados e refletissem a pausa na produção industrial do mês. Macedo ressaltou que as medidas de contenção da disseminação do vírus começaram em março em diversos estados do país. 

“Esse impacto da pandemia fica evidenciado quando se compara com o mês de fevereiro, já que a taxa é fortemente negativa e representa a queda mais intensa desde maio de 2018, quando houve a greve dos caminhoneiros. E não apenas pela magnitude da taxa, mas também pelo alargamento por diversas atividades, incluindo todas as quatro categorias econômicas e 23 das 26 atividades pesquisadas”, disse. 

No período da greve dos caminhoneiros, citado por Macedo, a queda havia sido de 11%. 

Também houve recuo na produção comparando março de 2020 com o mesmo mês de 2019. Essa diminuição do volume de produtos das fábricas enclhou 3,8%.

De janeiro a março deste ano, a produção acumula queda de 1,7%.

Setores mais afetados

A atividade com maior impacto negativo foi a de veículos automotores, reboques e carrocerias (-28%). Outros setores com quedas importantes foram confecção de artigos do vestuário e acessórios (-37,8%), de bebidas (-19,4%) e de couro, artigos para viagem e calçados (-31,5%). 

Em contrapartida, os grupos que tiveram aumento na produção foram impressão e reprodução de gravações (8,4%), de perfumaria, sabões, produtos de limpeza e de higiene pessoal (0,7%) e de manutenção, reparação e instalação de máquinas e equipamentos (0,3%). 

Segundo Macedo, "o que se verifica no conjunto do setor industrial é um comportamento negativo relevante e, mais do que isso, uma disseminação de resultados negativos por várias atividades”.