Economia Para IBGE, altas no varejo estão muito ligadas ao auxílio emergencial

Para IBGE, altas no varejo estão muito ligadas ao auxílio emergencial

Além de supermercados, houve crescimento tem também no consumo de móveis, eletrodomésticos e material de construção

Agência Estado
 O avanço no volume vendido está muito ligado à melhora no rendimento

O avanço no volume vendido está muito ligado à melhora no rendimento

DANIEL TEIXEIRA/ESTADÃO CONTEÚDO - 28/03/2020

O bom desempenho do varejo em junho e julho tem relação direta com o pagamento do auxílio emergencial pelo governo, segundo Cristiano Santos, analista da Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Para ele, o avanço no volume vendido está muito ligado à melhora no rendimento, sobretudo, das famílias de menor renda.

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Na série com ajuste sazonal, as vendas no varejo cresceram 5,2% em julho ante o mês anterior, depois de terem avançado também em junho (8,5%) e maio (13,3%). A expansão por três meses consecutivos levou o comércio varejista a operar perto do patamar mais elevado da série histórica da Pesquisa Mensal de Comércio, alcançado em outubro de 2014.

Santos lembra que o auxílio emergencial aumentou o orçamento especialmente das famílias mais pobres, que passaram a ter uma renda disponível na pandemia até mesmo maior que a habitual.

"Certamente parte desse excesso de rendimento acaba se convertendo em consumo, e consumo muito focado nessas atividades que a temos visto crescer. Além de supermercados, tem também móveis e eletrodomésticos e material de construção", disse Santos.

A expansão do comércio eletrônico e a reabertura de lojas pela flexibilização das medidas de isolamento social também contribuíram para uma recuperação da receita, apontou o pesquisador do IBGE.

Os supermercados puxam a recuperação do varejo para níveis anteriores ao da pandemia, mas as vendas no setor mostraram uma acomodação "natural" nos últimos dois meses, segundo o pesquisador. Houve algum efeito de inflação de alimentos sobre o resultado, embora nada fora do padrão da série histórica da pesquisa até julho.

"No início da pandemia, tudo fechou. O que ficou aberto? Farmácias e supermercados. As grandes redes, que têm lojas muito grandes, vendem muita coisa que também são vendidas em outros segmentos. Às vezes tem móveis e eletrodomésticos, livros, jornais, equipamentos de informática. Isso também acabou sendo consumido nessa atividade. Depois disso, ela se estabiliza. Ainda em maio vem forte, depois acaba se estabilizando. É um comportamento natural desse segmento, à medida também que essa substituição não é mais necessária, que outras atividades voltam também a ter vendas em lojas físicas", justificou Santos.

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