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Economia Perito do INSS diz que agência é 'segura' e é chamado de 'traidor'

Perito do INSS diz que agência é 'segura' e é chamado de 'traidor'

Unidades foram reabertas, mas a associação de médicos peritos resiste à retomada dos atendimentos presenciais, alegando condições inadequadas

Agência Estado
Marcelo Scarpellini é um dos peritos que voltou a atender nas agências do INSS

Marcelo Scarpellini é um dos peritos que voltou a atender nas agências do INSS

Marcelo Scarpellini/ Arquivo Pessoal

 Às 7h desta sexta-feira (18), o perito médico federal Marcelo Scarpellini ocupou um dos oito consultórios da agência do INSS em Canoas, no Rio Grande do Sul, liberados pela inspeção para a retomada das consultas. De avental, máscara, touca, protetor facial e munido de álcool em gel, ele voltou ao trabalho “fardado” contra a covid-19.

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“Trabalhei hoje numa agência absolutamente segura para mim, meus colegas e a população”, afirma Scarpellini.

Após a publicação da entrevista, uma montagem com a foto de Scarpellini passou a ser compartilhada por um grupo de peritos via aplicativo de mensagens com os dizeres "traidor da PMF (perícia médica federal)" e "pelego de gerente". A montagem depreciativa ainda traz o nome do servidor que falou à reportagem, a denominação da agência onde trabalha e a data de hoje.

O protocolo de segurança sanitária nas agências do INSS está no centro de um cabo de guerra entre o governo e a Associação Nacional dos Médicos Peritos (ANMP), que resiste à retomada dos atendimentos presenciais sob a alegação de que as condições são inadequadas. A Secretaria Especial de Previdência e Trabalho e o INSS negam. No meio do impasse, até a exigência de uma régua acrílica virou motivo de discussão sobre as medidas contra a covid-19.

O embate já desaguou na exoneração da cúpula da Subsecretaria da Perícia Médica (abrigada dentro do Ministério da Economia), cuja titular revogou unilateralmente um ofício assinada um dia antes por ela mesma em conjunto com o presidente do INSS, Leonardo Rolim. O documento tratava das normas para a inspeção e foi criticado pela ANMP. O episódio foi visto como uma quebra de hierarquia dentro da pasta, como mostrou o Estadão/Broadcast.

Scarpellini afirma que há em sua região algumas agências que não foram habilitadas para o atendimento ao público, justamente por não atenderem aos critérios estabelecidos para o enfrentamento à covid-19. Em sua unidade, ele conta, cinco consultórios foram interditados pela ausência de janelas, o que dificultaria a circulação de ar e facilitaria uma eventual contaminação.

O perito narrou seu “novo” ambiente de trabalho. Segundo ele, os consultórios liberados têm janelas, pias para lavar as mãos e macas com lençóis descartáveis, renovados a cada atendimento. Na escrivaninha, foi instalada uma tela de acrílico para separar o médico do paciente. Após cada perícia, dois funcionários da equipe de limpeza entram com esfregão, álcool 70° e produtos de limpeza para desinfetar o local, inclusive a cadeira onde o paciente sentou e o estetoscópio utilizado no exame.

“Posso garantir que na minha agência, não posso falar por outras, nós temos condições ideais para fazer o exame médico pericial”, afirma.

Scarpellini conta que, além dele, foram trabalhar outros dois peritos. O expediente seguiu das 7h às 13h. Na segunda, a expectativa é que o grupo chegue a cinco ou seis. Nesta sexta, um dos colegas que tinham atendimentos agendados não apareceu. O perito diz que os pacientes foram divididos e encaixados nos horários de quem estava na unidade. “Ninguém que veio à agência ficou sem perícia”, afirma.

Ele ressalta ainda que se sente “muito mais seguro” trabalhando na agência do INSS do que em seu próprio consultório, onde ele também usa equipamento de proteção, mas acaba atendendo pacientes com suspeita de covid. No exame médico pericial, os segurados buscam atestar outros tipos de doença. Pelas regras, médicos servidores podem acumular outros cargos ou empregos de forma legal, desde que não haja sobreposição de jornada.

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