Economia ‘Perspectiva para o Brasil é muito otimista’, diz conselheiro do governo dos EUA no País

‘Perspectiva para o Brasil é muito otimista’, diz conselheiro do governo dos EUA no País

Enrique Ortiz prevê recuperação rápida e elogia atuação da Justiça brasileira na Lava Jato

‘Perspectiva para o Brasil é muito otimista’, diz conselheiro do governo dos EUA no País

Representante comercial do governo dos EUA, Enrique Ortiz (foto) acredita na reação rápida da economia brasileira

Representante comercial do governo dos EUA, Enrique Ortiz (foto) acredita na reação rápida da economia brasileira

Keiny Andrade/Divulgação

Responsável por aconselhar o governo e empresários dos Estados Unidos sobre como e quando investir no Brasil, o diplomata americano Enrique Ortiz tem uma visão otimista em relação à recuperação da economia brasileira.

Há três meses em Brasília, Ortiz ocupa o cargo de ministro conselheiro para assuntos comerciais na Embaixada dos Estados Unidos. 

Em entrevista exclusiva ao R7 durante a 15ª Convenção ABF do Franchising, Ortiz afirmou que os Estados Unidos não deixarão de investir no Brasil e explicou que o diálogo em relação à situação econômica do País está mudando.

O conselheiro disse ainda que, para o governo norte-americano, a Operação Lava Jato é um claro exemplo de que a Justiça brasileira funciona de forma independente.

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Leia a seguir os principais trechos da entrevista:

R7: Como o investidor norte-americano avalia o atual cenário econômico brasileiro?

Enrique Ortiz: Eles têm certa preocupação pelo que veem na mídia sobre os problemas econômicos. Mas também há empresas americanas que estão interessadas em pesquisar e colocar oportunidades no País. Elas estão visitando o Brasil hoje, porque pensam que essa situação é temporária. Os empresários sabem que as economias têm momentos como este e que depois isso vai se recuperar.

R7: Existe pessimismo dos próprios brasileiros em relação à crise?

Ortiz: Acho que o diálogo está mudando. Eu encontro muitas pessoas interessadas em saber quais são as soluções e digo: é isso que precisamos fazer. É preciso mudar o diálogo. Todo mundo sabe qual é o problema, mas poucas pessoas estavam falando sobre soluções.

R7:  Os escândalos de corrupção, entre eles aqueles identificados pela Operação Lava Jato, prejudicam a imagem brasileira nos EUA?

Ortiz: Temos uma imagem positiva do Brasil. No processo da Lava Jato, vemos que os juízes não são corruptos e que estão fazendo seus trabalhos. Isso é muito importante porque nem todos os países têm certeza de que a Justiça funciona.

R7: Então, a imagem das instituições brasileiras é positiva para os norte-americanos?

Ortiz:No Brasil, nós vemos que a democracia está funcionando, as instituições são fortes e nós americanos temos uma perspectiva muito otimista do que vai acontecer no Brasil nos próximos dois anos depois que se recuperar da crise econômica.

R7: Como os Estados Unidos veem o Brasil do pós-crise?

Ortiz: O crescimento vai voltar. Nós vamos permanecer como parceiros. O Brasil vai saber que os Estados Unidos são um parceiro verdadeiro. As empresas norte-americanas que estão no Brasil não estão saindo, não vão sair e vão continuar investindo. Nenhuma empresa até hoje falou de sair. Elas apostam no futuro.

R7: Os investimentos dos EUA no Brasil continuam iguais, mesmo com a crise?

Ortiz: Sim. Há investimentos na área de segurança, inclusive segurança pública, na área de saúde, equipamentos e softwares. Há empresas trazendo tecnologia de saúde preventiva para o Brasil. Já trouxemos duas missões nos últimos dois anos, nessa área de tecnologia para saúde. Ano que vem vamos trazer outra missão semelhante. No setor de franchising também estamos trazendo investimentos. Outra área que temos muito interesse é a de energias renováveis.

R7: Por que o interesse na área de energias renováveis?

Ortiz: O Brasil é o nosso maior parceiro no continente e queremos continuar trabalhando juntos também para um meio ambiente melhor no futuro. Queremos fazer trocas de ideias e de tecnologias. No futuro, vamos tentar fazer cooperação e também coprodução.

R7: Essa preocupação envolve o problema da falta d’água no Sudeste do País?

Ortiz: Também tem o problema da seca. Nós temos tecnologia sobre água e queremos compartilhar o que nó sabemos e temos e pensamos que o Brasil é um bom mercado para o futuro. As secas causam grandes problemas de produtividade.

R7: Em junho deste ano, a presidente Dilma Rousseff esteve nos Estados Unidos. Essa visita foi produtiva?

Ortiz: Muito produtiva. Abriu muitas portas, muitas oportunidades para falar sobre reformas necessárias e na área comercial abriu muitas oportunidades. Agora, o Brasil está aberto para falarmos sobre o que temos que fazer para incentivar a troca entre os dois países. Estamos falando de reformas que vão ajudar a criar empregos. Brasil e Estados Unidos são dois mercados imensos. O Brasil é um grande parceiro para nós.

R7: Na sua opinião, além dos ajustes necessários, o que mais falta para que a economia brasileira se recupere?

Ortiz: As pessoas precisam se envolver na solução dos problemas, identificar as oportunidades. Nos tempos economicamente difíceis, com desafios muito grandes, você sempre vai ter oportunidades. Muitas pessoas falam que a política é um dos principais desafios. Mas eu acho que até isso mesmo vai mudar.

* O repórter viajou a convite da Associação Brasileira de Franchising