Piora no nível do rio Paraná desacelera ainda mais exportação de grãos da Argentina

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Por Maximilian Heath

BUENOS AIRES (Reuters) - A piora de uma redução histórica no nível do rio Paraná na Argentina forçou empresas agroexportadoras a diminuir ainda mais o volume dos embarques de milho e soja do país, justamente em um momento em que a colheita da atual temporada se intensifica, disse a câmara portuária argentina nesta quinta-feira.

Semanas de tempo seco ajudaram os agricultores argentinos a acelerar a colheita de soja e milho, tornando o solo firme o suficiente para aguentar os pesados trabalhos da safra 2019/20.

Rio acima, no entanto, a seca no Brasil contribuiu para que os níveis das águas do Paraná diminuíssem na Argentina. A hidrovia transporta cerca de 80% das exportações agrícolas do país.

Segundo dados do governo argentino, o nível do rio Paraná na região dos terminais exportadores de Rosario era de 0,55 metro nesta quinta-feira. O Instituto Nacional das Águas afirma que a média para o mês de abril no local é de 4 metros.

"Em um navio do tipo Panamax, estamos falando de cerca de 10 mil toneladas a menos em cada embarcação", disse Guillermo Wade, presidente da câmara de atividades portuárias CAPyM.

As mínimas de uma década no nível do rio Paraná estão forçando exportadores a carregar menos mercadorias no terminal de Rosario e a levar mais tempo para transportar os produtos até Bahía Blanca, onde as embarcações atingem o Oceano Atlântico.

O Brasil concordou em aumentar a vazão da usina hidrelétrica de Itaipu para ajudar a elevar o nível do Paraná, segundo os argentinos.

Abril é o ápice da colheita de soja e milho da Argentina, as principais safras agrícolas do país para comercialização. A Argentina é a maior exportadora de farelo e óleo de soja do mundo, além de terceira principal fornecedora de grãos de soja e milho.