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Economia Preço da batata dispara e produtos começam a faltar nas feiras de SP

Preço da batata dispara e produtos começam a faltar nas feiras de SP

Feirantes temem desabastecimento e alta no valor negociado por hortaliças e frutas. Na Ceagesp comerciantes reclamam de prejuízo

Movimento diminui em 20% na Ceagesp

Movimento diminui em 20% na Ceagesp

Bruno Rocha /Fotoarena/Folhapress - 23.05.2018

A greve dos caminhoneiros já afeta o bolso do consumidor. A batata é a vilã da vez, o preço da saca negociada na Ceagesp (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo) chega a ser negociado por R$ 180 nesta quinta-feira (24). Semana passada o valor era, na média, de R$ 85, de acordo com os comerciantes.

Ubaldo Cardinali, analista da Ceagesp, avalia que houve uma variação de até 82% no valor da batata asterix e de 40% no preço da batata lavada. Frutas também tiveram variação — a manga subiu 11,3% o melão 11% e o mamão formosa 8%. “Mesmo que a greve acabe hoje, a normalização dos produtos levará de dois a três dias porque muito produtos vem de outros Estados”.

O desabastecimento da Ceagesp é sentido no volume de veículos que circulam pelo entreposto comercial. Na média, passam por lá 11 mil veículos, sendo 1130 caminhões e 130 carretas. No momento, apenas 20% deste número circula pelo local. Alguns comerciantes até cogitam não trabalhar amanhã para evitar mais perdas.

“Não temos como ter estoque porque trabalhamos com produtos perecíveis, a reposição precisa ser diária e os caminhões simplesmente não chegam aqui”, diz Rita Barbosa, do entreposto Barbosa Batatas. “Quando o produtor se arrisca a mandar um caminhão, não se responsabiliza pela carga”.

Rita explica que boa parte da safra de batata vem do Paraná e Rio Grande do Sul. “Temos algo aqui porque a safra do sul de Minas e em São Paulo começou agora, então, conseguimos oferecer os produtos, mas os preços estão muito altos”.  Ela também está limitando a quantidade de batatas vendida aos seus clientes. “Eu preciso fracionar para conseguir atender a todos”.

A cebola é a próxima a entrar na lista. “Conseguimos estocar, mas a saca da cebola argentina que era negociada a R$75 passou para R$ 90. A brasileira, que era vendida a R$ 60 já não tem mais”.

Prejuízo também para quem trabalha com frutas. Aquelas que vem de outros Estados, principalmente do nordeste, estão com preço alto como é o caso da manga, melão e mamão.

Os produtores também começam a contar os prejuízos. “Calculo que nesta semana perdemos R$ 500 mil porque não estou contando só o que não vendemos, mas também as frutas que não foram colhidas na fazenda”, dizem Rodrigo Rocha.

A família Rocha tem uma fazenda no Vale do Ribeira onde tem plantação de mexericas. “Estamos perdendo dos dois lados: não podemos colher as frutas porque elas vão estragar no caminhão e também não vendemos porque 90% dos nossos clientes estão fora de São Paulo, não conseguem chegar aqui”.

Feira

Quem percorreu uma feira livre na manhã desta quinta-feira sentiu a falta de muitas barracas, principalmente de verduras. Produtores que vendem suas hortaliças diretamente aos consumidores vindos de Ibiúna e da região de Mogi das Cruzes não conseguiram chegar.
“Eu consegui vir porque consegui desviar por São Roque e não sei como vou chegar em casa porque esse caminho já foi bloqueado”, diz o produtor e feirante Fabio de Faria. “Pelo menos nesta feira aqui em Santana quatro feirantes não conseguiram passar pelos bloqueios”.

O aumento da cebola já é sentido pelo consumidor. “Eu aumentei um pouco, estou vendendo a R$ 5 o quilo, mas não posso repassar o valor total ao consumidor simplesmente porque as pessoas não vão comprar”, diz o feirante José Manuel Correa. “Se a greve continuar, não vale a pena trabalhar no fim de semana, será prejuízo na certa”.

Frete
Há quatro anos dirigindo caminhões, o motorista Rogério Alberto Bruno mostra seu caderno com o controle que faz com os gastos de combustível. No dia 19 de novembro de 2016 o gasto com o diesel para uma viagem, ida e volta, à Rondônia, era de R$ 4.703,91. No dia 4 de maio o valor saltou para R$ 6.441,86.

“É impraticável trabalhar pagando esse valor pelo combustível porque não posso repassar integralmente para o frete e enquanto as coisas não voltarem ao normal, não tem como sair do Ceagesp, o prejuízo será ainda maior”.

Para Marcelo Souza da Central de Compras São Paulo, a situação de abastecimento nos Estados da região norte é ainda pior. “Praticamente tudo sai da Ceagesp, de frutas a hortaliças, creio que o desabastecimento lá está pior que aqui”. Souza diz que o valor do diesel abocanha praticamente 70% do valor do frete. “Os motoristas estão pagando para trabalhar. ”

caminhoneiros

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