Inflação

Economia Preço de alimentos bate recorde em fevereiro, diz agência da ONU

Preço de alimentos bate recorde em fevereiro, diz agência da ONU

A alta contribuiu para um aumento mais amplo da inflação à medida que as economias se recuperam da crise sanitária

Reuters
FAO adverte que custos mais altos estão pondo em risco as populações mais pobres

FAO adverte que custos mais altos estão pondo em risco as populações mais pobres

Edu Garcia/R7 - 22.2.2022

Os preços mundiais de alimentos atingiram um recorde em fevereiro, saltando 24,1% em relação aos do ano anterior, liderados por um aumento nos óleos vegetais e laticínios, disse a agência de alimentos da ONU nesta sexta-feira (4).

O índice de preços de alimentos da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO, na sigla em inglês), que acompanha as commodities alimentares mais comercializadas globalmente, teve média de 140,7 pontos no mês passado, contra 135,4 pontos revisados para baixo em janeiro. Esse número foi dado anteriormente como 135,7.

O preço mais alto dos alimentos contribuiu para um aumento mais amplo da inflação à medida que as economias se recuperam da crise do coronavírus, e a FAO advertiu que os custos mais elevados estão pondo em risco as populações mais pobres em países dependentes de importações.

O economista da FAO Upali Galketi Aratchilage disse que as preocupações com as condições das safras e as disponibilidades de exportação forneceram apenas uma explicação parcial para o aumento global de preço dos alimentos.

"Um impulso muito maior para a inflação dos preços dos alimentos vem de fora da produção de alimentos, particularmente dos setores de energia, fertilizantes e rações", disse ele. "Todos esses fatores tendem a comprimir as margens de lucro dos produtores de alimentos, desencorajando-os de investir e expandir a produção."

Os dados do relatório de fevereiro foram compilados em grande parte antes da invasão russa da Ucrânia. As preocupações com as tensões na área do mar Negro já pesavam nos mercados agrícolas antes mesmo de a violência explodir, mas analistas advertem que um conflito prolongado pode resultar em grande impacto nas exportações de grãos.

A FAO disse que seu índice de óleos vegetais subiu em fevereiro 8,5% em relação ao mês anterior, atingindo outro recorde, impulsionado pelo aumento do preço dos óleos de palma, soja e girassol. A Ucrânia e a Rússia representam cerca de 80% das exportações globais de óleo de girassol.

O índice de preços dos grãos subiu 3,0% no mês, com os preços do milho avançando 5,1% e os preços do trigo subindo 2,1%, refletindo em grande parte a incerteza sobre os fluxos de oferta global dos portos do Mar Negro.

O índice de preços de lácteos da FAO aumentou 6,4%, seu sexto aumento mensal consecutivo, sustentado por uma oferta global apertada, enquanto o preço da carne subiu 1,1% em fevereiro.

Por outro lado, o açúcar foi o único índice a registrar queda, caindo 1,9% em relação ao mês anterior, devido, em parte, às perspectivas favoráveis de produção nos grandes exportadores Índia e Tailândia.

A FAO, com sede em Roma, também divulgou suas primeiras projeções para a produção de grãos em 2022, vendo a safra global de trigo aumentar para 790 milhões de toneladas, de 775,4 milhões em 2021, graças às esperanças de altos rendimentos e plantio extensivo no Canadá, Estados Unidos e Ásia.

De acordo com a FAO, a produção de milho na Argentina e no Brasil em 2022 está prevista para níveis bem acima da média, principalmente no Brasil, onde a safra de milho atingiu um recorde de 112 milhões de toneladas.

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