Preços do petróleo despencam e atingem menor patamar desde 2002

Desvalorização do líquido leva em conta que a pandemia de coronavírus deve causar uma queda de pelo menos 20% na demanda global por combustíveis

Barril de Brent fechou o dia negociado a US$ 22,76

Barril de Brent fechou o dia negociado a US$ 22,76

Nick Oxford/ Reuters - 11.02.2019

O petróleo Brent, valor de referência internacional do produto, despencou nesta segunda-feira (30) para o menor nível em quase 18 anos, enquanto o petróleo dos Estados Unidos chegou a ser negociado a menos de US$ 20 por barril, diante dos crescentes temores de que os isolamentos mundiais por causa do coronavírus possam durar meses, pressionando ainda mais a demanda por combustíveis.

A pandemia deve causar uma queda de pelo menos 20% na demanda global por combustíveis, à medida que governos tomam medidas para restringir a disseminação do vírus. E com Arábia Saudita e Rússia prontas para inundar o mercado com petróleo no mês que vem, produtores e transportadoras vêm lutando para manter o petróleo estocado em meio à queda de demanda.

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Os contratos futuros do petróleo Brent fecharam em queda de 8,7%, a US$ 22,76 por barril, mínima desde novembro de 2002. Já o petróleo dos EUA recuou 6,6%, a US$ 20,09 por barril, menor valor de fechamento desde fevereiro de 2002.

De acordo com a Trafigura, que acompanha a movimentação do setor, disse que a demanda por petróleo pode cair em mais de 30 milhões de barris por dia em abril, praticamente um terço do consumo diário de combustíveis.

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"Em uma base trimestral, nós esperamos ver o mais forte declínio no consumo global de petróleo da história", disseram analistas do Bank of America, que reduziram estimativas para as cotações do petróleo pela segunda vez em duas semanas. Os principais preços de referência do petróleo registraram perdas por cinco semanas consecutivas.

O preço está tão baixo que para muitas companhias do setor, manter atividades é sinônimo de prejuízo, segundo analistas, que acrescentam que produtores com altos custos não terão outra opção, a não ser interromper produção, especialmente considerando que as capacidades de armazenamento estão praticamente cheias.