Economia Preços vão seguir estáveis após eleição de Bolsonaro

Preços vão seguir estáveis após eleição de Bolsonaro

Economistas avaliam que não há espaço para alta dos preços devido aos níveis de desemprego e capacidade ociosa das indústrias

Inflação

Economistas apostam em inflação de 4,2% em 2019

Economistas apostam em inflação de 4,2% em 2019

Tânia Rêgo/Agência Brasil - 9.2.2017

A eleição de Jair Bolsonaro (PSL) para assumir a Presidência do Brasil a partir do dia 1º de janeiro de 2018 não vai pesar no bolso dos brasileiros neste primeiro momento, de acordo com a percepção de economistas que conversaram com o R7 após a confirmação do resultado.

Atualmente, a meta da inflação está estabelecida em 4,5% ao ano, mesmo patamar em que figura o IPCA (índice de Preços ao Consumidor Amplo) acumulado dos 12 meses finalizados em setembro.

A expectativa dos economistas consultados semanalmente pelo BC (Banco Central) é de que a inflação oficial termine 2018 em 4,43% e feche o ano que vem com alta de 4,22%.

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Walter Franco, professor de economia do Ibmec (Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais), afirma ser muito cedo para avaliar a movimentação dos preços durante o governo Bolsonaro, mas garante que o discurso do futuro presidente tende a manter os preços controlados.

"Em médio e longo prazo, eu não tenho dúvida nenhuma de que é o governo que vai priorizar a manutenção desse patamar de inflação nos níveis atuais", avalia Franco.

Para os últimos dois meses de 2018, o professor do Ibmec diz não observar variações significativas nos preços devido ao desemprego ainda em alta e a capacidade ociosa das indústrias. "Há possibilidade de os empresários atenderem eventuais aumentos de demanda para o final de ano ou mesmo a impulsão de algum otimismo do mercado que possa ocorrer a partir de agora", afirma ele.

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De acordo com Nelson Barizzelli, professor da USP (Universidade de São Paulo), os efeitos da eleição de Bolsonaro só serão conhecidos após o início do mandato. Ele avalia que o novo governo vai "mudar o humor dos agentes econômicos e da população".

"A tendência a médio prazo é a inflação ficar dentro ou abaixo do centro da meta. O que causou um aumento de inflação nos últimos meses foi a mudança no nível de câmbio, influenciando as importações brasileiras", afirma Barizzelli.

Antônio Correa de Lacerda, professor da PUC-SP, afirma que não existe espaço para os preços subirem nos próximos meses devido à baixa demanda dos consumidores. "A única pressão [inflacionária] que existe no curto prazo é pelos preços administrados, mas nada justifica que a inflação vai sair da meta no ano que vem", observa.

Especificamente sobre os preços administrados, como gasolina e energia, Lacerda avalia que a tendência da economia "ultraliberal" do futuro ministro da Fazenda, Paulo Guedes, pode entrar em conflito com a visão militar de Bolsonaro.

"A tendência seria de liberalização [dos preços administrados], mas tem o lado dos militares que também fazem parte do governo e têm uma visão mais nacionalistas e intervencionista", explica o professor da PUC.