Economia Prévia da inflação registra maior nível para janeiro desde 2016

Prévia da inflação registra maior nível para janeiro desde 2016

Índice divulgado pelo IBGE nesta terça-feira (25) foi puxado, principalmente, pelos grupos de Alimentação e Habitação 

  • Economia | Pietro Otsuka, do R7

Resumindo a Notícia

  • Prévia da inflação atinge maior nível para um mês de janeiro em cinco anos
  • Índice foi puxado, especialmente, pelos grupos de Alimentação e Habitação
  • Individualmente, a conta de luz foi o item com maior influência na prévia do indicador
  • Região metropolitana de Recife (1,45%) teve o maior resultado dentre todas as regiões
Inflação perde ritmo em janeiro, mas atinge maior nível para o mês desde 2016

Inflação perde ritmo em janeiro, mas atinge maior nível para o mês desde 2016

Tânia Rêgo/Agência Brasil

O IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15), considerada a prévia da inflação oficial, perdeu ritmo em janeiro e ficou em 0,78%, após registrar 1,06% em dezembro de 2020. Esse é o maior resultado para um mês de janeiro desde 2016, quando o índice foi de 0,92%. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (26) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Leia mais: Com alta de preços em dezembro, Inflação de 2020 fica em 4,52%

Entre os nove grupos de produtos e serviços pesquisados, oito tiveram alta em janeiro. O maior impacto (0,32 ponto percentual) ficou por conta de Alimentação e bebidas, que perdeu ritmo em janeiro e ficou em 1,53%, contra 2% registrado em dezembro. Na sequência, veio Habitação, com alta de 1,44% e 0,22 p.p. de contribuição. Juntos, os dois grupos responderam por cerca de 69% do índice de janeiro.

O aumento na conta de luz, por conta da vigência da bandeira vermelha no mês de dezembro e da amarela em janeiro, foi o item que individualmente mais influenciou na análise deste mês.

Nos últimos 12 meses, o IPCA-15 acumula alta de 4,30%, acima dos 4,23% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em janeiro de 2020, a taxa foi de 0,71%. 

Como destacado, a energia elétrica figurou como um dos vilões do orçamento familiar nessa prévia de janeiro. O item perdeu ritmo no mês, indo de 4,08% em dezembro para 3,14% neste mês, mas individualmente foi o que mais impactou o IPCA-15 (0,14 pontos percentuais). 

Isso porque janeiro teve a implementação da bandeira tarifária amarela, em que há acréscimo de R$ 1,34 na conta de luz a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos e, em dezembro, estava em vigência a bandeira vermelha patamar 2, com custo de R$ 6,24 para cada 100 kWh consumidos.

Ainda no grupo Habitação, o segundo maior impacto veio do gás de botijão (2,42%), que teve alta pelo oitavo mês consecutivo.

Inflação perde ritmo, mas segue alta

Segundo o IBGE, a desaceleração do IPCA-15 em janeiro explica-se também pela queda no preço das passagens aéreas (-20,49%) e pelas altas menos intensas de alguns itens alimentícios, mas que seguem impactando e muito o bolso do brasileiro, como as carnes (1,18%), o arroz (2%) e a batata inglesa (12,34%).

Já as frutas subiram 5,68% e contribuíram com o maior impacto entre os itens pesquisados no grupo. O tomate recuou 4,14% no mesmo período.

Nos Transportes, grupo com segundo maior peso no IPCA-15, houve desaceleração de 1,43% em dezembro para 0,14% em janeiro. A queda expressiva se explica, segundo o IBGE, pela queda nos preços das passagens aéreas, mas também pela alta menos intensa da gasolina, que passou de 2,19% no mês passado para 0,95% agora. 

Também tiveram alta os automóveis novos (0,92%) e usados (0,88%) e os transportes por aplicativo (8,72%).

Regiões

De acordo com IBGE, todas as regiões pesquisas apresentaram alta em janeiro. O destaque ficou para a região metropolitana de Recife (1,45%), com o maior índice observado, especialmente por conta das altas nos preços da gasolina (5,85%) e da energia elétrica (4,55%).

Brasília foi a região que teve o menor resultado (0,33%), influenciado pela queda nos preços das passagens aéreas (-29,20%).

O IPCA-15 refere-se às famílias com rendimento de 1 a 40 salários mínimos e abrange as regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, São Paulo, Belém, Fortaleza, Salvador e Curitiba, além de Brasília e do município de Goiânia.

A metodologia utilizada é a mesma do IPCA, a diferença está no período de coleta dos preços e na abrangência geográfica.

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