Produtores de palma da Malásia alertam para escassez de mão de obra durante pandemia

Por Mei Mei Chu e Agustinus Beo da Costa

KUALA LUMPUR (Reuters) - Uma duradoura escassez de mão de obra nos plantios de palma da Malásia pode ficar ainda pior, uma vez que muitos trabalhadores provenientes da vizinha Indonésia voltaram ao seu local de origem em meio às paralisações causadas pela pandemia de coronavírus, disse um grupo do setor nesta sexta-feira.

A segunda maior produtora e exportadora de óleo de palma do mundo depende de estrangeiros para 70% da mão de obra em suas áreas de plantio. A escassez de trabalhadores é uma questão perene na Malásia, um país relativamente industrializado de 32 milhões de habitantes.

Mais de 34 mil dos cerca de 2 milhões de trabalhadores migrantes da Indonésia de vários setores retornaram para casa depois de a Malásia impor uma restrição de um mês a viagens e exigir que negócios não essenciais permaneçam fechados até 14 de abril, segundo o Ministério de Relações Exteriores indonésio.

O governo da Malásia permitiu que empresas de palma trabalhem com equipe reduzida durante o período de isolamento, mas o maior Estado produtor, Sabah, fechou a maioria das operações do setor até meados de abril, depois que sete casos de coronavírus foram detectados em uma propriedade na região. [nL1N2BH1JO]

"Acreditamos que a permissão para que as operações prossigam vai conter esse êxodo de trabalhadores", disse à Reuters o presidente da Associação de Óleo de Palma da Malásia (MPOA), Nageeb Wahab.

"Haveria um inferno se ocorresse um 'shutdown' completo das operações de palma em todo o país... Minha principal preocupação é quando esses trabalhadores deixam as propriedades (de palma) para procurar emprego em outro lugar", acrescentou.