Quarentena faz preço de alimentos básicos subirem em março, diz FGV

Compras em excesso diminuem os produtos nas prateleiras em um tempo menor que a reposição, com isso os valores sobem, afirma Instituto 

Instituto da FGV explica que as compras devem ser feitas semanalmente

Instituto da FGV explica que as compras devem ser feitas semanalmente

Reprodução/ Pixabay

Os alimentos nos mercados sofreram alta após a determinação do isolamento social no país contra a disseminação do coronavírus. É o que aponta o Instituto Brasileiro de Economia da FGV (Fundação Getúlio Vargas) ao afirmar que os itens da cesta báscia sofreram com a lei da oferta e da demanda. 

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Os itens da cesta básica do brasileiro subiram, saltando de uma alta de 0,19% no dia 2 de março, contra 3 de fevereiro, para alta de 1,64% em 26 de março, ante a variação de 27 de fevereiro, informou nesta terça-feira (31), a FGV.

"Com as famílias mais tempo em casa, houve aumento da busca por alimentos nos mercados", explica a FGV em nota. 

Itens básicos que estavam com preço em queda na primeira aferição de março, passaram a subir no levantamento mais recente.

De acordo com o economista André Braz, coordenador do Índice de Preço ao Consumidor (IPC) do Ibre-FGV, além do aumento da demanda por alimentos, a estocagem também afetou os preços.

"Dois pontos principais explicam o avanço dos preços. Além do aumento da demanda por alimentos, pois todas as refeições estão sendo feitas em residência, houve aumento da estocagem de alimentos por receio de que o vírus se propague mais e expanda o período de confinamento social", explicou.

O feijão carioca passou de uma queda de 2,16% para alta 0,58% na comparação, e o feijão preto, que havia caído 2,61% no início do mês, agora registra alta de 2,24%. O arroz, já em alta na mediação anterior, de 1,17%, subiu para 1,74%, e os ovos tiveram o preço elevado de alta de 5,04% para 9,04%.

A carne bovina registrava em 2 de março queda de 2,31% e, após o início da quarentena, está custando 0,25% a mais. Já o frango inteiro teve redução de preço, de queda de 1,47% para uma queda de 2,20% na mesma comparação.

De acordo com Braz, os serviços 'delivery' em operação servem como alternativa para as famílias, mas o nível de preços da alimentação preparada fora de casa é maior do que o da refeição preparada em residência. "Como o orçamento de várias famílias foi afetado pela paralisação do comércio e dos serviços, muitas delas não dispõem de renda para arcar com os custos da alimentação fora de casa", avaliou.

Ele lembrou ainda que a alta obedece o princípio da oferta e demanda, e que muitas famílias com mais recursos acabam comprando antecipadamente os produtos que passam a faltar para as famílias de mais baixa renda.