Economia Representante da indústria admite irregularidades na colheita do sisal

Representante da indústria admite irregularidades na colheita do sisal

RRI flagrou condições de trabalho análogo à escravidão no campo; presidente do sindicato não percebeu que a ligação continuava e admitiu falhas

  • Economia | Do R7

Wilson Andrade representa as indústrias de sisal da BA

Wilson Andrade representa as indústrias de sisal da BA

Reprodução/Record TV

Era o fim de uma ligação por vídeo quando a revelação veio à tona: "O esquema é completamente irregular. É completamente irregular. Não tem registro, o cara trabalha como autônomo. Chega na sua fazenda, tira o sisal. Metade é seu, metade é meu. Tá errado. Ela tem razão. Agora você tem que defender naquilo que pode, tá certo?". A confissão inesperada é do presidente do Sindibras, Wilson Andrade, que representa todas as indústrias de sisal da Bahia.

Na edição desta noite, o RRI mostrou a exploração dos trabalhadores no campo - etapa inicial da cadeia produtiva da fibra. Nas indústrias, ela é matéria-prima para diversos produtos, como tapetes de luxo. As exportações do Brasil movimentam US$ 100 milhões por ano, segundo a Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura da Bahia (SEAGRI).

Adriana Araújo e os repórteres Laura Ferla e Gilson Fredy passaram 12 dias no semiárido baiano e flagraram trabalhadores com jornadas exaustivas para ganhar menos de um salário mínimo, lavradores mutilados no motor de sisal e crianças ajudando os pais nas plantações. O Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) diz que o trabalho infantil não é aceitável em qualquer contexto.

A OIT (Organização Internacional do Trabalho) afirma que a distribuição de renda na cadeia produtiva é desigual, e o Ministério Público do Trabalho diz que as empresas fingem que não estão vendo a situação degradante dos trabalhadores no campo.

A íntegra desta edição do RRI você pode ver no PlayPlus.

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