Retenção de trabalhador é a maior desde 2014, mostra estudo do Ipea

Além da geração de vagas de trabalho, a melhora dos níveis de emprego vem sendo possibilitada também pelo recuo do número de demissões 

Recuo de demissões é mais expressivo no mercado formal

Recuo de demissões é mais expressivo no mercado formal

Agência Brasil

O melhor desempenho do emprego nos últimos meses no Brasil vem sendo possibilitado não apenas pelo aumento da geração de postos de trabalho, mas também pelo recuo do número de demissões.

Estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) mostra que, no último trimestre de 2019, a proporção de ocupados que já se encontravam nesta situação no trimestre imediatamente anterior foi de 86,1%, o que significa o maior patamar de retenção de trabalhadores para este período desde 2014.

A pesquisa, divulgada nesta quinta-feria (12), foi realizada com base na PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). 

Embora este aumento na retenção de ocupados venha ocorrendo em todos os segmentos, ele é um pouco mais expressivo no mercado formal, afirma o estudo. No quarto trimestre de 2019, a retenção de ocupados no setor formal da economia foi de 90,1%, o que constitui o pico da série, superando, inclusive, os períodos de maior dinamismo no mercado de trabalho brasileiro.

Aplicativos

Há uma especulação sobre a contribuição das novas formas de trabalho, principalmente de aplicativos, para o crescimento do grupo que trabalha por conta própria.

Segundo o estudo do Ipea, o segmento do trabalhador por conta própria que consiste em atividades relacionadas com aplicativos foi responsável por um crescimento de mais de 700 mil postos de trabalho entre 2015 e 2019.

Antes do crescimento do desemprego, entre o primeiro trimestre de 2012 e o último de 2014, as taxas médias de crescimento eram menores para os que trabalhavam por conta própria em transporte e entregas – 0,6% ao ano – que para o restante do universo dos conta própria (1,9%).

A partir de 2015, há uma inversão, com os níveis de ocupação deste segmento registrando taxas de crescimento bem maiores que os demais trabalhadores por conta própria, chegando a 9,7%, o que corresponde a quase cinco vezes aquela registrada para os demais trabalhadores por conta própria.