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Economia Retirada do auxílio teve impacto maior do que esperado, afirma BC

Retirada do auxílio teve impacto maior do que esperado, afirma BC

Campos Neto reafirmou que Brasil não pode criar gastos sem medidas fiscais que compensem o aumento de despesa

Reuters - Economia
Campos Neto quer mais tempo para avaliar impacto

Campos Neto quer mais tempo para avaliar impacto

Pedro França/Agência Senado - 26.2.2019

O presidente do BC (Banco Central), Roberto Campos Neto, disse nesta quinta-feira (11) que dados recentes parecem indicar que a retirada do auxílio emergencial está tendo um efeito maior sobre a desaceleração da atividade do que o esperado, mas frisou que a autoridade monetária ainda precisa de mais tempo para analisar o cenário.

"Eu provavelmente diria que, com os dados que temos de alta frequência das últimas duas, três semanas, que estamos vendo o efeito da retirada do auxílio que provavelmente é um pouco mais alto do que imaginávamos. Mas é muito incipiente, precisamos de mais tempo para analisar isso e não espero, e não quero, que ninguém tire nenhuma conclusão do que estou falando", afirmou.

Segundo Campos Neto, os dados mostram uma queda "considerável" no consumo nos últimos dias, mas não dos preços, que têm sofrido também o impacto da alta das commodities, a qual tem se disseminado sobre a cadeia de alimentos e de outros preços. "Estamos na fase de tentar entender essas duas dinâmicas, então as próximas duas semanas serão muito importantes para quantificar como isso vai evoluir", afirmou.

"Na atividade acho que temos essa incerteza, mas hoje você pode dizer que temos uma desaceleração na margem. Na inflação, o problema principal é tentar avaliar o efeito da transferência, como isso vai impactar e qual o impacto de outros elementos, sendo o mais importante a elevação dos preços de commodities", completou.

Ao falar sobre o auxílio emergencial, Campos Neto reiterou o entendimento de que o Brasil não pode criar novos gastos sem medidas fiscais que compensem esse aumento de despesa, sob o risco de acabar gerando um efeito contracionista.

"Se você pensar em uma nova onda de programa fiscal, se não for acompanhada por uma contrapartida com a qual as pessoas possam realmente ver uma preocupação com a projeção fiscal, você pode ter um efeito oposto ao que você quer", afirmou.

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