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Economia Revisões da Petrobras e estoque alto de etanol derrubam preço da gasolina

Revisões da Petrobras e estoque alto de etanol derrubam preço da gasolina

Combustível, que tem 27% da composição de etanol, recuou R$ 0,07 na bomba em um mês

Revisões da Petrobras e estoque alto de etanol derrubam preço da gasolina

Placa com promoção de gasolina em Manaus (AM). Crise e queda do consumo aumentaram estoques e forçaram queda nos preços. Hoje, litro sai por R$ 3,45, em média, no Estado

Placa com promoção de gasolina em Manaus (AM). Crise e queda do consumo aumentaram estoques e forçaram queda nos preços. Hoje, litro sai por R$ 3,45, em média, no Estado

Edmar Barros/15.03.2017/Futura Press/Folhapress

O preço médio da gasolina tipo C, a comum, diminuiu de R$ 3,749 para R$ 3,678 nos últimos 30 dias, segundo levantamento da ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis).

A queda de R$ 0,07 na bomba em um mês tem duas razões: a revisão constante de preços da Petrobras e a queda do valor do álcool anidro, que é misturado ao combustível.

O disgnóstico é do presidente do Sincopetro (Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de São Paulo, José Alberto Paiva Gouveia.

— No mercado internacional, caiu o preço do barril de petróleo, e a Petrobras está seguindo. Então, houve uma queda. Além disso, o álcool anidro teve uma queda forte no mercado nacional. Esse somatório traz baixa de custo para os postos, o que é repassado ao consumidor.

Queda do preço do etanol depende só dos postos

A Petrobras mantém sua política de revisão de preços pelos menos uma vez a cada 30 dias, o que lhe dá a flexibilidade necessária para lidar com variáveis com alta volatilidade. No último anúncio, feito no final de fevereiro, a empresa reduziu o preço da gasolina em 5,4%, em média, nas refinarias. Vale lembrar que não é sempre que essa queda é repassada ao consumidor.

Ao mesmo tempo, a queda do preço do etanol colabora para a diminuição do valor da gasolina. Isso porque, desde março de 2015, a gasolina brasileira possui 27% de etanol anidro, conforme determinação do Ministério da Agricultura. Portanto, o preço do etanol interfere diretamente no preço da gasolina.

O Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP (Universidade de São Paulo), que monitora os preços dos produtores, indicou que o etanol anidro ficou R$ 0,10 mais barato em 30 dias — passou de R$ 1,75 para R$ 1,65. O motivo é o estoque, que está alto, segundo o presidente do Sincopetro.

— Os produtores não venderam o que queriam em dezembro e janeiro. Portanto, não venderam o que tinham no estoque. Agora em março aumentou a oferta do etanol e vai continuar assim ao longo dos próximos meses.

O diretor-técnico da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), Antônio de Pádua, explica que o etanol é um produto com alta volatilidade de preços. "Quando a demanda vai caindo, vai acumulando estoques nas usinas. O produtor oferta mais produto e o preço cai", afirma.

Vale lembrar que o etanol anidro não é o mesmo vendido nos postos do País. O motorista abastece com o etanol hidratado, cujo preço médio cobrado pelo produtor está em R$ 1,52 — há um mês, estava R$ 1,66.

Sobre esses valores, incidem tributos como ICMS (25% para a gasolina e 12% para o etanol em São Paulo), PIS/Cofins e a Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) e as margens de lucro das distribuidoras e postos. Em média, esse etanol que serve para abastecer o carro está em R$ 2,74 nos postos do País (veja preços abaixo), mas "ainda tem espaço para cair mais", diz o diretor da Unica. 

— Quando vai acontecer? Quando as distribuidoras e postos baixarem o preço.

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